quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

1975 e a geração que não passaria

Nathan Knorr assumiu a presidência da Torre de Vigia logo após a morte de Rutherford. Mas ficou a cargo de Frederich Willian Franz (vice de Knorr a partir de 1945), o desenlace da questão doutrinal. Pelo que se sabe, desde que ingressou na religião, no ano de 1914, ele sempre foi próximo de Rutherford, estando diretamente envolvido na produção de matéria de cunho doutrinal a partir de 1926 – e isso tem justificativa (Veja A Sentinela de 15 de março de 1993, página 31). Franz fora um aluno brilhante na universidade, e, ao final, sabia ler alemão, latim e grego; depois aprendeu espanhol, francês e português, e também veio a dominar um pouco de hebraico (Veja Apocalipse Adiado, capítulo 3, de James Penton). Assim, com Knorr na presidência, mas sem ter a arte de escrita e, principalmente, por lhe faltar desenvoltura em assuntos doutrinários, coube a Franz a tarefa de guia espiritual de toda uma religião (Crise de Consciência, páginas 78-80). E como tal, Franz provavelmente foi o maior responsável por mais uma barulhenta cavalgada rumo ao fim do mundo.

A geração que não passaria – parte 1

Eu lhes garanto que esta geração de modo algum passará até que todas essas coisas aconteçam (Mateus 24: 34).

Foi ainda na era de Rutherford que a Sociedade Torre de Vigia deu uma breve explicação para essa declaração de Jesus Cristo. Leiamos (tradução e colchetes do grupo Mentes Bereanas).



A conclusão, portanto, irresistível é que Jesus se referiu à nova criação [os ungidos] quando disse: "Esta geração não passará até que todas estas coisas ocorram" Isso, então, seria um forte indício de que alguns membros da nova criação estarão na terra no momento da Armagedom (A Sentinela de 15 de fevereiro de 1927, página 62).

(Raymond Franz conta que, já no ano anterior, a revista A Idade de Ouro (hoje Desperta!) “vinculou as palavras de Jesus sobre “esta geração” à data de 1914”) (Crise de Consciência, página 279).

Mas, segundo Raymond Franz, cerca de 20 anos depois, a organização religiosa passou a explicar que Jesus referia-se não especificamente aos ungidos, mas a toda e qualquer pessoa que vivia em 1914, no ano em que, segundo ela, Jesus assumiu o Reino no domínio espiritual e todos os sinais ditos por ele passariam a ocorrer (Mateus 24; Marcos 13 e Lucas 21). Esses sinais seriam as “coisas” que deveriam ocorrer – todas – no período de no máximo uma geração. E ao final de todas elas – obviamente – o fim do mundo! (Crise de Consciência, páginas 265 e 266).


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Quando seria o fim do mundo? Como já vimos, essa pergunta, cuja resposta Jesus alertou que era posse exclusiva do Pai, serviu de laço para Russell e Rutherford. E como veremos agora, nem o aviso de Cristo nem os tropeços de lideranças anteriores servirão de freio aos líderes de então.

Segundo Raymond Franz, em princípio a medida de uma geração foi estimada em cerca de 30 a 40 anos. Serviu-se para isso de versículos tal como Números 32: 13, que menciona a palavra “geração” em conexão com “quarenta anos”. Contando 40 anos a partir de 1914, concluiu-se, na década de 40, que o fim do mundo devia estar dobrando a esquina. Então, com a chegada da década de 50, mas com o fim do mundo ainda à frente, um ajuste no cálculo mostrou-se necessário. Raymond Franz, fazendo referência à revista A Sentinela de 1º de setembro de 1952, páginas 542 e 543, menciona que a estimativa de uma “geração” passou a ser de uma vida inteira, isto é, 70 ou 80 anos (Crise de Consciência, página 265). Com esse novo entendimento, o fim do mundo podia ser esperado até para as próximas quatro décadas.  Mas então em 1966 o grupo de Brooklyn publicou um livro que trazia fortes asserções de que o fim do mundo bem provavelmente poderia vir em 1975.

1975 – a data provável

O autor do livro, como mais tarde veio se saber, era Frederich W. Franz. Em que ele se baseou então para determinar 1975 como uma provável data para o fim do mundo? As pessoas que folhearam o livro por ocasião de seu lançamento, nos congressos de 1966, puderam ver, ainda no final do primeiro capítulo, uma extensa tabela que consistia na determinação e soma dos períodos da história bíblica. Uma vez tendo estabelecido que Adão foi criado em 4026 AEC, Franz contou 6000 mil anos a partir de então e obteve 1975 EC (considerando que não houve ano zero).

Restava à frente, na conclusão dele, o sétimo milênio da história humana. Mas em que isso garantia que 1975 podia marcar o início do milênio mencionado no capítulo 20 de Apocalipse? Franz serviu-se da declaração bíblica de que para Deus um dia pode equivaler a mil anos (Salmo 90: 4) e, relacionando isso com o sábado, o dia subsequente aos seis dias criativos, segundo Gênesis, pareceu-lhe apenas lógico que o sétimo dia (de mil anos) da história humana correspondesse ao milênio do capítulo 20 de Apocalipse. Dessa forma, com base em suposição, Franz concluiu o primeiro capítulo do livro fazendo impactantes declarações a respeito do que provavelmente poderia acontecer em 1975:
Assim, dentro de poucos anos em nossa própria geração atingiremos o que Jeová Deus poderia considerar como o sétimo dia da existência do homem. Quão apropriado seria se Jeová Deus fizesse deste vindouro sétimo período de mil anos um período sabático de descanso e livramento, um grandioso sábado de jubileu para se proclamar liberdade através da terra a todos os seus habitantes! Isto seria muito oportuno para a humanidade. Seria muito apropriado da parte de Deus, [...] Não seria por mero acaso ou acidente, mas seria segundo o propósito amoroso de Jeová Deus que o reinado de Jesus Cristo, o “Senhor do sábado”, correspondesse ao sétimo milênio da existência do homem (Vida Eterna na Liberdade dos Filhos de Deus, conforme citado em Crise de Consciência, páginas 246 e 247).

É verdade que Franz não diz taxativamente que 1975 ficaria marcado como o ano em que Deus interviria diretamente nos assuntos humanos, exterminando toda a humanidade, exceto as Testemunhas de Jeová. Mas as suas suposições foram levadas a sério talvez pela maioria das Testemunhas, que na época ascendiam a pouco mais de um milhão. Como pode ser visto na tabela da próxima página, o número de Testemunhas quase dobrou nos anos que se seguiram, tendo 47% de crescimento apenas nos anos que antecederam a 1975. Qual a razão desse aumento vertiginoso? Minha suposição é que todos aqueles que creram nas argumentações de Franz passaram a fazer uso delas no seu serviço de casa em casa e, em consequência, milhares de novos se achegaram à organização porque também creram na argumentação que se lhes apresentaram.



Em corroboração dessa tese, a mesma fonte nos informa que, no quinquênio seguinte a 1975, o aumento foi de apenas 4, 3% (2.272.278). Se levarmos em conta que nesse período milhares de novos ingressaram na religião, essa estatística só se justifica se presumirmos que outros milhares a deixaram – ante a decepção que foi 1975.  

Mas como foi possível que milhares ou mais de um milhão de pessoas tenham se deixado levar por apenas uma suposição? A verdade é que o palavreado de Brooklyn não se restringiu ao livro de 1966. Nos anos seguintes foram feitas claras referências a 1975, como se pode ler nas citações abaixo:

Será que o dia de descanso de Deus decorre paralelamente ao tempo em que o homem tem estado na terra, desde sua criação? Parece que sim [...] Em que ano, então, terminariam os primeiros 6.000 anos do dia de descanso de Deus? No ano de 1975. Isto é digno de nota, especialmente em vista de que os “últimos dias” começaram em 1914, e que os fatos físicos de nossos dias, em cumprimento da profecia, marcam esta como a última geração deste mundo iníquo. Por conseguinte, podemos esperar que o futuro imediato esteja cheio de eventos emocionantes para aqueles que depositam sua fé em Deus e em suas promessas. Isto significa que dentro de relativamente poucos anos testemunharemos o cumprimento das profecias restantes que têm que ver com o “tempo do fim” (Despertai! de 22 de abril de 1967, página 20, conforme citada em Crise de Consciência, página 250; os sublinhados de Raymond Franz foram substituídos pelos meus).
O futuro imediato com certeza estará repleto de eventos climáticos, pois este velho sistema se aproxima de seu fim completo. Dentro de alguns anos, no máximo, as partes finais da profecia bíblica relativas a estes “últimos dias” terão cumprimento, resultando na libertação da humanidade sobrevivente para o glorioso reino milenar de Cristo. Que dias difíceis, mas, ao mesmo tempo, que dias grandiosos estão bem à frente! (A Sentinela de 1º de novembro de 1968, página 660, conforme citada em Crise de Consciência, página 251).

O artigo de que se extraiu a próxima citação intitula-se “O Que Trará a Década de 1970?”
O fato de que já se passaram quase cinqüenta e cinco anos do período chamado de ‘últimos dias’ é altamente significativo. Quer dizer que restam apenas alguns anos, no máximo, antes de o corrupto sistema de coisas que domina a terra ser destruído por Deus (Despertai! de 22 de abril de 1969, página 13, conforme citada em Crise de Consciência, página 251).

As próximas citações são do livro A Paz de Mil Anos Que Se Avizinha, cujo autor é Frederich W. Franz. Publicado em 1969, o livro dá sequência às várias referências que já se fez sobre o que poderá acontecer na década seguinte (os colchetes são de Raymond Franz).
Mais recentemente, pesquisadores sérios da Bíblia Sagrada verificaram novamente a sua cronologia. Segundo os seus cálculos, os seis milênios da vida da humanidade na terra terminariam nos meados da década de mil novecentos e setenta. Portanto, o sétimo milênio a partir da criação do homem por Jeová Deus começaria em menos de dez anos [...] A fim de que o Senhor Jesus Cristo seja ‘Senhor até do Sábado’, seu reinado de mil anos terá de ser o sétimo de uma série de períodos de mil anos ou milênios. (Mateus 12:8, Al) Seria assim um reinado sabático (páginas 25 e 26 do livro, conforme citado em Crise de Consciência, página 252).

Com a chegada da década de 70, a revista Despertai! voltou a fazer referência ao acontecimento mais esperado da década. Leiamos:

Nossa geração presenciará o fim da atual ordem assolada de pressões. Com efeito, há até boa razão para se esperar que uma nova ordem de Deus possa começar na presente década. Por que isto? [...] Se aplicarmos a declaração bíblica de que, para Jeová Deus, ‘mil anos são como um dia’, isto significaria que os seis mil anos da existência do homem são como apenas seis dias à vista de Deus. (Sal. 90:2; 2 Ped. 3:8) O vindouro reinado milenar de seu Filho seria então um sétimo “dia” após aqueles seis. Seria perfeitamente apropriado ao padrão profético de um período sabático de descanso seguir seis períodos de trabalho e labuta. Assim, ao nos aproximarmos do término de seis mil anos de existência humana, durante esta década, há emocionante esperança de que um grandioso Sábado de descanso e alívio se acha deveras às portas (Despertai! de 22 de abril de 1972, páginas 26-28).
Para enfatizar a questão, o artigo trouxe também um gráfico, que é reproduzido a seguir, conforme consta em Crise de Consciência, página 253. 





Um periódico mensal, de circulação apenas entre as Testemunhas, também fez chocantes referências aos acontecimentos esperados. Leiamos:

Em vista do curto período de tempo que resta, desejamos fazer isso [intensificar o serviço de visita aos lares] tão amiúde quanto as circunstâncias o permitam. Apenas pensem, irmãos, restam menos de noventa meses até que se completem os 6.000 anos da existência do homem na terra (Ministério do Reino de maio de 1968, página 4, conforme citado em Crise de Consciência, página 255).
Receberam-se notícias a respeito de irmãos que venderam sua casa e propriedade e que planejam passar o resto dos seus dias neste velho sistema de coisas empenhados no serviço de pioneiro. Este é certamente, um modo excelente de passar o pouco tempo que resta antes de findar o mundo iníquo. — 1 João 2:17 (Ministério do Reino de julho de 1974, páginas 3 e 4, conforme citado em Crise de Consciência, página 255).

Diante das declarações acima, como se pode dizer que nunca se fez nenhuma declaração taxativa de que algo aconteceria em 1975? Essa declaração de fato não se encontra em parte alguma, mas toda a argumentação desenvolvida faz que se obtenha o mesmo resultado. Adicione a isso as visitas semestrais que fazem às congregações os representantes da Torre de Vigia, conhecido entre as Testemunhas como superintendentes de circuito.  Relata-se que estes fizeram muitas declarações exacerbadas pelo mundo inteiro. Na qualidade de representantes da entidade religiosa, esses homens recebem por escrito grande parte do que devem dizer nas suas visitas às congregações. É possível que nesses escritos também nunca constasse declarações específicas sobre 1975, mas certamente podiam seguir a mesma linha que se pode ler nas citações acima. E quem já foi ou é Testemunha de Jeová sabe o quanto esses homens são treinados para usar a arte de persuasão no que diz respeito a exortar a que se intensifique o serviço de visita às casas. Então, com 1975 dobrando a esquina, quão fácil deve ter sido para alguns exercitarem a sua arte persuasão!

Agora presumo que ao leitor seja compressivo porque o número de Testemunhas dobrou em apenas uma década. Não foi apenas em razão de uma suposição lá em 1966. Pois, como vimos, seguiu-se uma longa lista de afirmações persuasivas no que diz respeito ao que poderia acontecer em 1975. Quem foi Testemunha de Jeová na época, certamente pôde presenciar que os anos eram de vivas expectativas – as quais se provaram falsas.

É verdade que também foram dados alertas sobre não viver com uma data em mente. A revista A Sentinela de 15 de dezembro de 1974, por exemplo, debaixo do subtítulo “Não servimos apenas até certa data”, a autoridade religiosa chama a atenção para o fato de que os cristãos primitivos sabiam que uma “tribulação” viria sob Jerusalém, mas não decidiram ser cristãos apenas até então. E prossegue:

E o mesmo se dá hoje entre os verdadeiros cristãos, que reconhecem em base do cumprimento da profecia bíblica, que o fim deste inteiro sistema iníquo de coisas está próximo. É verdade que a mais exata cronologia bíblica disponível indica que 6.000 anos da existência humana terminarão em meados da década de 1970. De modo que estes cristãos estão intensamente interessados para ver se isto coincidirá com o irrompimento da “grande tribulação” dos nossos dias, a qual eliminará da terra todos os iníquos. Pode coincidir. Mas eles nem mesmo tentam predizer com exatidão quando virá a destruição do sistema iníquo de coisas de Satanás. Estão contentes em esperar e ver, reconhecendo que nenhum homem na terra sabe a data. — Mat. 24:36 (A Sentinela de 15 de dezembro de 1974, páginas 754 e 755).

Outros dois artigos na mesma linha apareceram na revista A Sentinela de 1º de novembro de 1975. O primeiro deles, com o título “Por que não fomos informados acerca “daquele dia e daquela hora” ”,  tem como texto base Mateus 24:42, que diz:  “Mantenham-se vigilantes, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor”. Mas notem: essa revista é de novembro de 1975.  A essa altura, já parecia evidente a muitos que as previsões iriam fracassar. Dando esses alertas às vésperas e em pleno 1975, a Organização claramente deixou de fazer jus ao nome Torre de Vigia.

Esse nome remete à antiguidade, uma época em que as cidades comumente eram muradas com o fim de proteger-se de tropas invasoras. Nessas muralhas podiam-se construir torres altas, onde vigias podiam ver, à distância, o deslocamento de tropas vindo em direção à cidade e, a tempo, soar um alerta de modo a mobilizar tropas de defesa. A Organização Torre de Vigia, que alega servir-se do espírito santo para fornecer alertas apropriados em tempo conveniente, soou de fato alertas, mas ficou evidente que, enquanto nesse estágio, agia como falsária, representando não a Deus, mas apenas promovendo a si mesma.

A organização religiosa cita, em sua defesa, uma solicitação de precaução quanto a datas que apareceu na revista A Sentinela de 1º novembro de 1968; mas considerando que, depois disso, diversas outras declarações foram feitas em sentido contrário, como podem esperar que se levassem a sério palavras de 1968? Mas esse tipo de justificativa é típico dessa entidade religiosa. O livro Proclamadores do Reino também tem algo a dizer sobre 1975. Leiamos:

"Diga-me, o que significa esse 1975?”
As Testemunhas já por muito tempo partilhavam a crença de que o Reinado Milenar de Cristo viria depois de 6.000 anos da história humana. Mas quando terminariam os 6.000 anos da existência humana? O livro Vida Eterna — na Liberdade dos Filhos de Deus, lançado (em inglês) numa série de congressos de distrito em 1966, apontava para 1975. Já no congresso, quando os irmãos examinaram o conteúdo, o novo livro suscitou muitos comentários sobre 1975.
No congresso realizado em Baltimore, Maryland, F. W. Franz deu o discurso concludente. Ele começou por dizer: “Pouco antes de eu subir à tribuna, um jovem se aproximou de mim e disse: ‘Diga-me, que significa esse 1975?’” O irmão Franz mencionou muitas perguntas feitas sobre se a matéria no novo livro queria dizer que em 1975 o Armagedom teria terminado, e Satanás estaria amarrado. Ele disse, em síntese: ‘Pode ser. Mas não estamos dizendo isso. Todas as coisas são possíveis a Deus. Mas não estamos dizendo isso. E que ninguém seja específico ao falar sobre o que irá acontecer a partir de agora até 1975. Mas, prezados irmãos, a grande questão é: o tempo é curto. O tempo está-se esgotando, não resta dúvida sobre isso.’ 
Nos anos que se seguiram seguiram a 1966, muitas Testemunhas de Jeová agiram em harmonia com o espírito do conselho dado. Todavia, outras declarações foram publicadas sobre esse assunto, e algumas foram provavelmente mais taxativas do que seria aconselhável. Isso foi reconhecido em A Sentinela de 15 de setembro de 1980 (página 17). Mas as Testemunhas de Jeová foram também acauteladas no sentido de se concentrarem principalmente em fazer a vontade de Jeová e não ficarem excessivamente preocupadas com datas e expectativas de pronta salvação (Proclamadores do Reino, página 104; para apoiar a última frase desta citação, a Torre de Vigia cita as últimas três revistas citadas acima).

Considerando quão traumático foi para muitos o ano de 1975, cabia à organização religiosa expressar-se com um sincero pedido de perdão. Mas perdão nunca foi solicitado, nem na época e nem desde então. A citação acima, que foi escrita quase vinte anos depois, bem que poderia ser mais cândida, como se propõe o livro; mas, ao passo que faz um simulacro de candura, a entidade religiosa parece estar mais inclinada a justificar-se do que propriamente fazer um reconhecimento honesto de que foi gravemente culpada com relação a 1975.

Dois anos após constatar-se o fracasso profético, a revista A Sentinela trouxe uma breve referência ao caso. As palavras são reveladoras:
Não é aconselhável que fixemos a vista em certa data, negligenciando coisas cotidianas, de que devemos normalmente cuidar, como cristãos, coisas tais como as de que nós e nossa família realmente precisamos. Talvez nos esqueçamos de que, quando o “dia” vier, não mudará o princípio de que os cristãos precisam sempre cuidar de todas as suas responsabilidades. Caso alguém tenha ficado desapontado, por não seguir este raciocínio, deve agora concentrar-se em reajustar seu ponto de vista, por não ter sido a palavra de Deus que falhou ou o enganou e lhe causou desapontamento, mas, sim, seu próprio entendimento baseado em premissas erradas (A Sentinela de 15 de janeiro de 1977, página 57).
Convenhamos, foram de palavras assim que os anos anteriores se mostraram carentes. Mas os autores dessas palavras sãos os mesmos que, em anos anteriores, fizeram circular pelo mundo exortações de que o tempo estava se esgotando e que, portanto, abrir mão de tudo e gastar-se pelo resto dos dias no serviço de pregação era a melhor coisa a fazer. Quando alguns passaram a seguir esse conselho, os homens de Brooklyn não se furtaram a divulgar que irmãos “venderam sua casa e propriedade e que planejam passar o resto dos seus dias neste velho sistema de coisas empenhados no serviço de pioneiro”. Ainda é possível deduzir do texto que os autores se recusam a apontar o dedo para si, preferindo colocar a questão como se todos compartilhassem a culpa por terem desenvolvido “entendimento baseado em premissas erradas”. 

O livro Proclamadores do Reino, citado anteriormente, menciona a revista A Sentinela de 15 de setembro de 1980 como constando um reconhecimento de culpa por 1975. Como é típico, os autores primeiro procuram tecer uma rede sobre a qual repousarão a “culpa”. Falam inicialmente que os cristãos, no decorrer dos séculos, sempre desejaram a vinda do Reino e, por terem vida curta, ansiaram que este viesse enquanto vivos estivessem. Depois afirmam que outros, no decorrer da história, em razão de esperarem o Reino, procuraram, em suas próprias mentes, acelerar a sua vinda. Finalmente, citam o alerta de Paulo contra deixar-se levar por aqueles que, por meio de palavras, alegando representar a Deus, proclamam a presença do Seu Reino (2 Tessalonicenses 2:1-3). E então prosseguem:
Nos tempos modernos, tal avidez [pela vinda do Reino], embora elogiável em si mesma, tem levado a tentativas de fixar datas para a desejada libertação do sofrimento e das dificuldades, que são o quinhão das pessoas em toda a terra. Quando foi publicado o livro Vida Eterna — na Liberdade dos Filhos de Deus e seus comentários sobre quão apropriado seria se o reinado milenar de Cristo fosse paralelo ao sétimo milênio da existência do homem, criou-se muita expectativa sobre o ano de 1975. Fizeram-se naquele tempo, e depois, declarações que enfatizavam que se tratava apenas de uma possibilidade. Infelizmente, porém, ao lado de tal informação acauteladora, publicaram-se outras declarações que davam a entender que tal cumprimento da esperança até aquele ano era mais uma probabilidade do que mera possibilidade. Lamenta-se que estas últimas declarações, pelo visto, tenham ofuscado as acauteladoras e tenham contribuído para o aumento duma expectativa já criada (A Sentinela de 15 de setembro de 1980, página 17).
“Lamenta-se” foi o máximo que se conseguiu dizer. Não faz mal. As declarações de Paulo, contra deixar-se levar por aqueles que gritam ao mundo que o Reino de Deus já chegou, sempre foram oportunas no decorrer da História. Na década de 70, eram especialmente oportunas tendo em vista os pronunciamentos que vinham de Brooklyn.

O Corpo Governante

Dois anos após o fiasco que fora 1975, as autoridades de Brooklyn sofreram como que uma “revolução interna” (palavras de Raymond Franz); com isso, o poder, tendo deixado de ser exclusividade do presidente, passou a ser compartilhado por um grupo de cerca de dez homens – o Corpo Governante. Este, por sua vez, tinha a responsabilidade de olhar em volta, para os milhões sob seus cuidados, e servir-se das duras lições que o passado lhe apresentava. Mas os homens de Brooklyn, pelo visto, lamentaram 1975 apenas em palavras. Sob a segurança econômica que lhes oferecem os mobiliados cômodos da sede, os homens de então, dispondo de alimentação, vestuário e tratamento médico, serviço de cozinha e faxina, roupa lavada e transporte – não deram nenhum sinal genuíno de que lamentavam o fato de que o milênio não chegou, fazendo com que os milhões sob seus cuidados passassem a acordar para a realidade e ver a vida por enfrentar – cada um às próprias custas!

Que o fim do mundo estava ainda à frente, todos se deram conta. Mas quando viria? O Corpo Governante tinha uma resposta.

A geração que não passaria – parte 2

Quando se começou a dizer, na década de 40, que a geração mencionada por Jesus constituía-se de pessoas cuja duração de suas vidas coincidiria com o começo e o fim dos sinais mencionados por Cristo, estimou-se que essa geração devia durar cerca de 40 anos. A recomendação de Cristo a respeito de que estas, ao presenciar o começo dos sinais, deviam pôr-se de pé, “porque o seu livramento está se aproximando”, levou a autoridade religiosa a concluir que se tratava de pessoas suficientemente idosas – em 1914 – “para testemunhar com entendimento o que aconteceu quando começaram os “últimos dias” ” (Lucas 21:28; Despertai! de 22 de abril de 1969). Com isso, pode-se presumir que, em 1914, alguém, para se enquadrar no entendimento da Torre de Vigia, tinha de ser pelo menos adolescente – jamais uma criança. Mas no fim da década de 70, com os adolescentes de 1914 reduzidos a uns poucos octogenários, foi necessário fazer um ajuste no ensino, de modo a fazer que pessoas mais novas passassem a se enquadrar nas palavras de Jesus. Leiamos:

Assim, tratando-se da aplicação ao nosso tempo, a “geração”, logicamente, não se aplicaria aos bebês nascidos durante a Primeira Guerra Mundial. Aplica-se aos seguidores de Cristo e a outros que puderam observar aquela guerra e as outras coisas ocorridas em cumprimento do “sinal” composto indicado por Jesus. Algumas dessas pessoas ‘de modo algum passarão até’ que tenha ocorrido tudo o que Jesus profetizou, inclusive o fim do atual sistema iníquo (A Sentinela de 15 de janeiro de 1979, página 32).

Ao passo que, em 1969, falou-se de “entendimento”, a palavra agora é “observar” – mesmo que não entenda. É difícil compreender que alguém, que apenas tem a capacidade de “observar”, pode ainda assim ser seguidor de Cristo – com convicção! Mas, que o leitor entenda, trata-se de um esforço da Torre de Vigia para esticar um pouco mais a duração da geração de 1914. Em adição a isso, a revista A Sentinela de 15 de abril de 1981, página 31, recorrendo a um artigo da U. S. News & World Report, que sugeria ser à idade de dez anos que uma criança começa a criar lembrança duradoura, passou a afirmar que, segundo esse novo conceito, havia ainda 13 milhões de norte-americanos com lembrança da Primeira Guerra Mundial. Com isso, os adolescentes de 1914 foram substituídos pelas crianças de então – ainda que no mínimo de dez anos. Mas três anos depois, em 1984, a organização religiosa viu-se obrigada a revisar mais uma vez o ensino da geração de 1914. Servindo-se de dicionários bíblicos produzidos por eruditos da cristandade, os quais definiam quem podia fazer parte de uma geração, a Torre de Vigia concluiu:

Estas definições abrangem tanto os que nasceram por volta da época dum acontecimento histórico como todos os que estavam vivos na ocasião. Se Jesus usou a palavra “geração” nesse sentido e se a aplicarmos a 1914, então os bebês daquela geração têm agora 70 anos ou mais. E outros que estavam vivos em 1914 estão com seus 80 ou 90 anos, sendo que uns poucos já atingiram a idade de cem anos. Ainda há muitos milhões dessa geração vivos. Alguns deles ‘de modo algum passarão até que todas estas coisas ocorram’. — Lucas 21:32 (A Sentinela de 15 de janeiro de 1984, página 5).

As definições podem até ser corretas. Resta-nos entender então como podem se aplicar a bebês as palavras de Cristo: “Quando essas coisas começarem a ocorrer, ponham-se de pé e levantem a cabeça, porque o seu livramento está se aproximando”. Caso Cristo de fato incluía bebês no seu sentido de “geração”, então cabia perguntar-Lhe como bebês podiam atender sua recomendação.

Ninguém perguntou.

Nos anos posteriores a 1984, a Organização Torre de Vigia restringiu-se a dizer que componentes da geração de 1914 ainda estariam vivos quando viesse o fim do mundo. Mas com a chegada dos anos noventa sem que viesse o fim, a manutenção do sentido que por décadas se atribuía à palavra “geração” estava beirando ao ridículo. Durante as décadas anteriores, à medida que o fim tardava em chegar, foi-se trazendo para mais próximo possível de 1914 o ano de nascimento dos que compunham a “geração”; mas agora, sem essa opção, restava apenas, como que por magia, aumentar a expectativa de vida da “geração” até que viesse o fim.




Diante disso, a organização religiosa optou por procurar outro sentido para a palavra geração. E encontrou.

A geração que não passará

Abordando o tema “geração” por 12 páginas, a revista A Sentinela de 1º de novembro de 1995 surpreendeu a muitos – inclusive a mim – ao dizer que, contrário ao que por décadas se afirmou, a palavra “geração” nada tinha a ver com a duração média da vida de uma pessoa. Leiamos:

O povo de Jeová, ansioso de de ver o fim deste sistema iníquo, às vezes tem especulado sobre quando irromperia a “grande tribulação”, até mesmo relacionando isso com cálculos sobre a duração da vida duma geração desde 1914. No entanto, ‘introduzimos um coração de sabedoria’, não por especular sobre quantos anos ou dias constituem uma geração, mas por refletir em como ‘contamos os nossos dias’ em dar alegre louvor a Jeová. (Salmo 90:12) Em vez de estabelecer uma regra para a medição do tempo, o termo “geração”, conforme usado por Jesus, refere-se principalmente a pessoas contemporâneas dum certo período histórico, com as características identificadoras delas (página 17).
Portanto, hoje, no cumprimento final da profecia de Jesus, “esta geração” parece referir-se aos povos da terra que vêem o sinal da presença de Cristo, mas que não se corrigem (página 19)

Como de costume, O Corpo Governante não dá nenhuma demonstração de que se considera responsável pelas declarações enganosas que fez durante décadas; prefere dizer, como se pode ler acima, que “o povo de Jeová” – não exclusivamente ele – é culpado de especulação. Então, com essa linha de raciocínio, a autoridade religiosa isenta a si mesma de ter que pedir perdão por ter incorrido em falsa profecia. Presume, naturalmente, uma vez que não se considera culpada, que Deus não lhe chamará às contas por tais e quais palavras. Curiosamente, foi a respeito de raciocínio desse tipo que Jeová falou francamente a Ezequiel:
 Viste, ó filho do homem, o que os idosos da casa de Israel estão fazendo na escuridão, cada um nos quartos internos da sua peça de exibição? Pois estão dizendo: Jeová não nos vê. Jeová deixou o país – Ezequiel 8: 12.

O entendimento reajustado parece indicar que a Torre de Vigia está a abandonar sua especulação a respeito de quão próximo deve estar o fim do mundo. Afinal de contas, uma geração nos moldes da nova definição pode estender-se por décadas, talvez por séculos. Temendo que esse conceito viesse a desestimular o rebanho, o Corpo Governante julgou apropriado dar um lembrete:
Será que nosso ponto de vista mais preciso sobre “esta geração” significa que o Armagedom está ainda mais longe do que pensávamos? De forma alguma! Embora nunca soubéssemos ‘o dia e a hora’, Jeová Deus sempre os soube, e ele não muda (Malaquias 3:6) (revista supracitada, página 19).

O fato principal resultante desse ajuste doutrinal é que o Corpo Governante se livra do desconforto de ter atrelado a 1914 a duração média de uma vida – ao final da qual deveria vir o fim. Estando prestes a ser desmascarados pelo tique-taque do tempo, os homens de Brooklyn agiram repentinamente de modo a salvar as aparências. Milhões de pessoas foram literalmente enganadas por muitas décadas, mas, como se viu, nenhum enganador se apresentou. Se, como se alega, as palavras sobre 1975 ficaram restritas a probabilidades, as palavras sobre quanto duraria uma geração foram colocadas no nível da certeza absoluta. Diante disso, como fica a moral de quem as pronunciou? O Corpo Governante, que reivindica para si o status de ser o porta-voz de Deus na terra, não explica como isso se ajuste ao fato de terem dito tamanha inverdade – a menos que, nessa questão específica, falasse apenas por si. Como não podemos ter a Deus por mentiroso, os fatos nos obrigam a ter por verdade esta última suposição. Se isso se aplica às palavras sobre o sentido de “geração”, que garantia temos de que não se aplica igualmente a outras tantas afirmações a respeitos de outras doutrinas? O fato de que muitas delas têm sido revisadas, algumas até várias vezes, apenas corrobora a tese anterior. Seja lá como for, o carrossel profético sobre o qual cavalgou o Corpo Governante é atualmente apenas motivo de vergonha apara a autoridade religiosa. Essa conclusão obteve-se em 2006 quando a Torre de Vigia, visando recapitular o entendimento bíblico progressivo, decidiu saltar, à moda de quem salta uma cobra, qualquer referência à palavra “geração”. A seguir, atente para a ordem cronológica dos assuntos:

Nos anos seguintes, a vereda dos justos continuava a clarear. Em 1985, foi lançada luz sobre o que significa ser declarado justo “para a vida” e declarado justo como amigo de Deus. (Romanos 5:18; Tiago 2:23) O significado do Jubileu cristão foi explicado cabalmente em 1987.
Em 1995 veio um entendimento mais claro sobre a separação entre “ovelhas” e “cabritos”. Em 1998, houve uma explicação detalhada sobre a visão que Ezequiel teve do templo, visão esta que já está se cumprindo. Em 1999 esclareceu-se quando e como ‘a coisa repugnante que causa desolação estaria em pé num lugar santo’. (Mateus 24:15, 16; 25:32) E, em 2002, obteve-se mais discernimento sobre o que significa adorar a Deus “com espírito e verdade”. — João 4:24 (A Sentinela de 15 de fevereiro de 2006, página 30).

O ano de 1995 até é citado, mas Brooklyn não achou um jeito de relembrar o assunto, não sem admitir que durante décadas fez falsas afirmações sobre um assunto tão delicado. É verdade que a revista A Sentinela de 1º de maio de 1999, página 8, remete ao artigo de 1995 por meio de uma nota de rodapé, mas faz isso num contexto em que menciona “entendimento progressivo” e que, portanto, deixa ao leitor a única opção de conformar-se, a menos que não queira enquadrar-se no “entendimento progressivo” da Torre de Vigia (esse entendimento progressivo é muitas vezes justificado com o versículo de Provérbios 4: 18; veja aqui o que de fato significa este versículo).

O significado de “entendimento progressivo” é facilmente assimilado pela mente humana acostumada a pesquisas. Por exemplo, nos primeiros anos de escola se aprende que na antiguidade se pensava que a Terra era o centro do Universo, tendo o Sol, a Lua e as estrelas girando em torno dela. Com o passar dos séculos, especialmente em meados do segundo milênio, astrônomos puderam comprovar, à base de cálculos e de rústicos telescópicos, que o Universo tinha como centro o Sol, não a Terra. Desde então o conhecimento dos astrônomos tem aumentado progressivamente e agora se sabe que o Universo é muito mais extenso, sendo o Sol apenas uma estrela como tantas outras. Quando a Torre de Vigia recorre à expressão “entendimento progressivo”, é a isso que ela remente a mente do leitor. Mas será que as suas reformas doutrinárias no assunto em exame realmente se enquadram na expressão “entendimento progressivo”?  Vejamos.

A geração que realmente não passará

No ano de 2008, voltando a revolver em torno da palavra “geração”, o Corpo Governante fez cair por terra a sua tese de “entendimento progressivo”.  De acordo com o conceito reajustado, o sentido que passou a se dar à palavra “geração” era o mesmo que se tinha em 1927, conforme apresentado anteriormente. Naquele ano afirmou-se com convicção que os ungidos é que compunham a “geração” mencionada por Jesus. Em 2008, qual raciocínio apresentava então o Corpo Governante para voltar ao entendimento de 1927? Leiamos (os colchetes são da Torre de Vigia):

Como chegamos a essa conclusão? Por analisar o contexto. Conforme registrado em Mateus 24: 32, 33, Jesus disse: “Aprendei, pois, da figueira o seguinte ponto, como ilustração: Assim que os seus ramos novos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que o verão está próximo. Do mesmo modo [vós], também, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo às portas.” (Note Marcos 13:28-30; Lucas 21:30-32.) Daí, em Mateus 24:34, lemos: “Deveras, eu vos digo que esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas ocorram.”
Jesus disse que seus discípulos, que logo seriam ungidos com espírito santo, seriam os que estariam em condições de tirar certas conclusões quando vissem ‘todas essas coisas’ ocorrer. De modo que Jesus por certo se referia a seus discípulos quando declarou: “Esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas ocorram.” (A Sentinela de 15 de fevereiro de 2008, páginas 23 e 24).
Hoje, as pessoas que não têm entendimento espiritual acham que não há nada de “impressionantemente observável” com respeito ao sinal da presença de Jesus. Acham que tudo continua como antes. (2 Ped. 3:4) Por outro lado, os fiéis irmãos ungidos de Cristo, a atual classe de João, reconhecem esse sinal como se fosse um relâmpago e entendem seu real significado. Como grupo, esses ungidos compõem a atual “geração” de contemporâneos que não passará “até que todas estas coisas ocorram”. Isso indica que alguns dos irmãos ungidos de Cristo ainda estarão vivos na Terra quando a predita grande tribulação começar (revista supracitada, página 24).
A revista não faz nenhuma menção ao fato de que se trata de uma versão recuperada. A razão pode ser que tenha achado desnecessário; uma vez que foi encerrada a reimpressão de revistas antigas, poucas Testemunhas poderiam checar a informação. Por outro lado, se eu fosse responsável pela versão de 1927 e pelas diversificadas versões posteriores, teria muita vergonha de dizer que, por décadas, fiz todo um rebanho andar em círculo. A Torre de Vigia, caso fizesse referência ao conceito de 1927, teria ainda de explicar como isso se ajusta às suas reinvindicações de ser orientada pelo espírito santo de Deus.

Os vai-e-voltas doutrinários da Torre de Vigia são perfeitamente compreensíveis se encararmos a religião Testemunha de Jeová como sendo uma religião comum. Qualquer organização humana, dirigida por homens imperfeitos, inevitavelmente revelará traços de imperfeição. No entanto, caso tenhamos de aceitar o conceito de Brooklyn de que se trata de uma religião escolhida por Deus e dirigida por Seu espírito, então deveríamos esperar da religião um comportamento compatível com tal reivindicação. Não é que isso produzisse uma religião perfeita. Os primitivos cristãos, todos imperfeitos, não deixaram de deixar traços de imperfeição nas relações entre si. As cartas de Paulo os revelam agonizando na imperfeição, mas essas mesmas cartas, juntamente com outros escritos cristãos, são o produto do espírito santo; sabemos disso não só porque elas assim o declaram, mas também porque o conteúdo delas exige que seja assim. A Torre de Vigia, ao requerer que a aceitemos como guiada por Deus, costuma apresentar o “entendimento progressivo” como uma prova de orientação divina. Mas em se tratando do caso em questão, a prova apresentada só parece convincente porque se omitiu um detalhe fundamental. Considerando que o conceito atual seja o correto, como se explica o fato de que ele foi rejeitado na década de 1940? Quando alguns dos primitivos cristãos passaram a ter um conceito apóstata sobre a ressurreição, Paulo os condenou e, ao que parece, eles foram expulsos da congregação cristã (1 Timóteo 1:18-20; 2 Timóteo 2: 16-18). Caso Deus, mediante Seu espírito santo, tenha de fato revelado à Torre de Vigia, em 1927, qual era o conceito correto sobre a palavra “geração”, que atitude divina esperaríamos ver quando, na década de 40, a entidade religiosa veio a rejeitar esse esclarecimento em prol de um conceito apóstata?
Pode ser, no entanto, que a Torre de Vigia, sendo uma organização religiosa como tantas outras, não seja mais pecadora do que outras o são. Pode ser que seus erros, muitos dos quais ela própria admite, por si só não a coloque numa condição apóstata. Pode ser que seu conceito atual sobre a palavra “geração” seja tão equivocado como o foi em 1927. Considerando tudo isso, resta o fato de que ela tem se erguido a uma posição que inevitavelmente a coloca diretamente responsável perante Deus pelas afirmações de estar a representa-Lo na terra. Assim como um representante comercial é responsável por vender, não apenas produtos ou serviços, mas também a imagem da empresa, o cristão verdadeiro, pelo que diz e faz, é responsável pela imagem que outros formarão sobre quem de fato é Jeová. A Torre de Vigia vez após vez tem martelado esse alerta em sua literatura. Uma vez que considera as Testemunhas responsáveis perante Deus pelo modo como vivem, deveria igualmente reconhecer-se responsável perante Deus por qualquer que seja seu comportamento.
A justiça divina requererá que seja assim.
O conceito reajustado sobre a palavra “geração” teve pouca repercussão entre as Testemunhas de Jeová. Diferentemente do conceito rejeitado em 1995, o conceito rejeitado em 2008 não era assunto de conversa entre elas; creio até que grande parte delas nem o tenha assimilado corretamente. O conceito de 2008 parece que, tanto quanto o anterior, não despertou interesse. Recorrendo à memória, não me lembro de uma única vez em que ele chegou a ser tratado em minhas palestras com Testemunhas. Desde que em 1995 se rejeitou uma boa estimativa de quão próximo estava o fim do mundo, os apelos de urgência com relação ao tempo do fim ficaram restritos a lembretes de quão avançados estávamos depois de 1914 e quão claro estavam os “sinais” indicadores apresentados por Jesus. Em 2010, no entanto, o Corpo Governante voltou a fazer outra boa estimativa de quão próximo estamos do fim. Depois de relembrar o conceito reajustado de 2008, a revista A Sentinela passa a nos empurrar goela abaixo um conceito adicional sobre “geração”:

O que essa explicação significa para nós? Embora não possamos medir a extensão exata de “esta geração”, é bom termos em mente várias coisas a respeito da palavra “geração”. Ela em geral se refere a pessoas de variadas idades cujas vidas coincidem por algum tempo durante um período específico; esse período não tem uma duração excessivamente longa; e tem um fim. (Êxo. 1:6) Como, então, devemos entender as palavras de Jesus a respeito de “esta geração”? Ele evidentemente queria dizer que a vida dos ungidos que estavam presentes quando o sinal começou a tornar-se evidente, em 1914, coincidiria em parte com a vida de outros ungidos que veriam o início da grande tribulação. Essa geração teve um começo, e certamente terá um fim. O cumprimento dos vários aspectos do sinal indica com clareza que a tribulação deve estar próxima. Por manter seu senso de urgência e permanecer vigilante, você mostra que está acompanhando a luz crescente e seguindo a direção do espírito santo. — Mar. 13:37 (A Sentinela de 15 de abril de 2010, páginas 10 e 11).

Considere que o tema do artigo é: “O papel do espírito santo no cumprimento do propósito de Jeová”. Não sei se foi intensão do Corpo Governante fazer o ajuste do modo mais discreto possível, mas julgo que uma grande parte das Testemunhas não o notou e, agora, penso até que a maioria o desconheça. Desconsiderando essa questão, uma nova data para o fim do mundo foi marcada. Ele virá antes que morra os últimos ungidos que foram contemporâneos por algum tempo dos ungidos que viviam em 1914. Qualquer explicação sobre como se chegou a essa conclusão foi omitida; ela também nunca foi dada até os dias de hoje. Por que o comprimento de uma geração tem que ser de exatamente duas gerações sucessivas? Por que não pode ser de três ou mais? Os dados que constam do capítulo 5 de Gênesis nos informam que Adão foi contemporâneo de Lameque, que foi neto de Enoque, portanto, o nono homem na linhagem de Adão (Judas 14). Alguém pode sugerir que, em tempos bíblicos posteriores, as pessoas não viviam tanto quanto antes do Dilúvio. Isso é um fato. Mas ainda assim não devia ser rara a convivência entre avós e netos e até entre bisavós e bisnetos. E atualmente, com a expectativa de vida aumentando em diversas partes do mundo, está se tornando comum a convivência entre três ou mais gerações. Caso tenhamos de abrir mão do conceito de que uma “geração” corresponde apenas à duração média de uma vida, precisamos de alguma regra bíblica que dê suporte ao conceito de que representa exatamente duas gerações que sejam contemporâneas por pelo menos alguns anos. A Torre de Vigia, em sua defesa, pode afirmar que, no caso específico, a palavra “geração” nada tem a ver com uma “geração” de pessoas do tipo pai e filho e nem do tipo que seja de apenas contemporaneidade. Então, em consequência, ela fica impossibilitada de defender o conceito de que, no caso dos ungidos, é necessário que uma “geração” corresponda a duas gerações de ungidos que seja contemporâneos por pelo menos alguns anos.  Mas, considerando que a entidade religiosa habituou-se a falar qualquer coisa sem ser questionada, não é surpresa que tenha optado por agir dessa forma, uma vez que, no caso em questão, uma explicação confusa podia ser pior que explicação alguma (Provérbios 17: 28). 

Considerando como verdade o ajuste adicional, quão próximo devemos estar do fim do mundo?
Podemos, por suposição, decidir que a primeira geração de ungidos tenha começado em 1910 – presumindo, naturalmente, que a unção tenha sido imediatamente após batismo. Chamemos esta geração de G1. Considerando que G1 foi batizada aos 20 anos de idade e que viveu até os 70 anos, naturalmente faleceu em 1960. G2, com expectativa de vida de 80 anos, foi batizada em 1955, à idade de 15 anos. Consideremos que a unção tenha sido subsequente ao batismo, de modo a estabelecer alguns anos de contemporaneidade com G1. Com expectativa de vida de 80 anos, G2 deverá falecer em 2020 – e o fim deverá vir antes dessa data (veja representação visual abaixo). É difícil imaginar quanta razoabilidade há nessas suposições, mas as palavras da Torre de Vigia nos obrigam a isso. Naturalmente podemos ir aos extremos e refazer nossos cálculos: podemos, por exemplo, nos aproximarmos bem mais de 1914 com o ano de início da primeira geração de ungidos, podemos reduzir para menos de cinco anos a  intersecção da vida dos dois grupos na condição de ungidos e podemos também alongar um pouco mais a expectativa de vida de ambas as gerações. Oportunamente pode-se aqui lembrar o caso de Frederich W. Franz. Ele nasceu em 12 de setembro de 1893 e foi batizado em 5 de abril de 1914, cinco meses antes de completar 21 anos e seis meses antes do tão esperado outono; tendo falecido em 22 de dezembro de 1992, ele deixou milhares de companheiros ungidos que lhe foram contemporâneos. Se pudermos decidir que alguém de pouca idade, que se tornou ungido há apenas alguns anos antes de sua morte, possa fazer parte do segundo grupo, então alongamos bastante a “geração” – embora isso fique em desacordo com uma declaração recente da Torre de Vigia de que o segundo grupo já é bastante idoso (A Sentinela de 15 de janeiro de 2014, página 31).




Raymond Franz conta que certa vez, por volta de fevereiro de 1980, quando o Corpo Governante se debatia para resolver a questão da “geração”, certos membros influentes do Corpo sugeriram que, em vez de 1914, o ponto de partida para a “geração” devia ser 1957, o ano em que a então União Soviética havia lançado seu primeiro Sputnik ao espaço. Entendiam esses que isso estava relacionado com a declaração de Jesus sobre “o sol escurecerá, a lua não dará a sua luz, as estrelas cairão do céu, e os poderes dos céus serão abalados” (Mateus 24:29). A proposta, naturalmente, foi rejeitada pelos demais membros; e Franz afirma que “os comentários apresentados indicavam que muitos a consideraram fantasiosa” (Crise de Consciência, páginas 273 a 276). Uma avaliação equilibrada sobre as novas explicações que a Torre de Vigia dá para a palavra “geração” não nos permite usar termos tão diferentes de “fantasiosa”. Considerando alguns fatores tais como a total ausência de argumentação para justificá-la, a proibição bíblica de ir além das coisas escritas e a declaração de Cristo de que pessoas comuns entenderiam as verdades bíblicas, então a palavra certa é mesmo “fantasiosa” (1 Coríntios 4:6; Mateus 11:25).
Um observador não Testemunha, após uma leitura rápida das novas declarações da Torre de Vigia sobre a palavra “geração”, poderia facilmente concluir que essa organização religiosa subiu no tamborete e pôs, ela própria, a corda no pescoço. Quem conhece o histórico dessa religião, no entanto, se recordará que ela sabiamente reservou para si a prerrogativa de, em caso de fracassarem suas previsões proféticas, simplesmente descer do tamborete de dar novo sentido às declarações bíblicas – independente do que estas realmente signifiquem.

O Corpo Governante se justifica
Não é exclusividade das Testemunhas de Jeová marcar datas para o fim do mundo, mas, a julgar pelos frutos de tais atitudes, a religião verdadeira não deveria ser também responsável por incorrer nesse erro. Quanto à gravidade disso, leiamos as sinceras e corretas palavras do Corpo Governante no que toca a esse erro, quando cometido por outras religiões:
Por que tantos alarmes falsos?
CONTA-SE que um garoto vigiava as ovelhas dos aldeões. Para agitar um pouco, certo dia ele gritou “lobo! lobo!”, mas não havia lobo algum. Os aldeões acudiram com paus para afugentar o lobo, mas descobriram que não era nada. Foi tão divertido que, tempos depois, o garoto gritou de novo. Novamente os aldeões acudiram com paus, mas descobriram que era outro alarme falso. Depois um lobo veio mesmo, e o garoto soou o aviso “lobo! lobo!”, mas os aldeões não fizeram caso de seus gritos, achando que era outro alarme falso. Haviam sido enganados demasiadas vezes.
Tem acontecido o mesmo com aqueles que proclamam o fim do mundo. Através dos séculos, desde os dias de Jesus, já se fizeram tantas predições não cumpridas que muitos não mais as levam a sério (Despertai de 22 de março de 1993, página 3).
O PASTOR que repetidas vezes gritou “lobo” quando não havia nenhum lobo, descobriu que seu posterior grito por ajuda não foi atendido. O mesmo se dá hoje, quando muitos desconsideram a iminência do dia de Jeová por terem ouvido inúmeros avisos que mostraram ser alarmes falsos. O mero fato de que tantos deixam de discernir que aviso é genuíno e de acatá-lo faz o jogo do maior inimigo de Deus, Satanás, esse falso “anjo de luz”. — 2 Coríntios 11:14. (A Sentinela de 1º de junho de 1998, página 5).

Agora compare isso com as palavras do Corpo Governante sobre os mesmos erros cometidos pela religião (os colchetes são dos autores).
As Testemunhas de Jeová deram datas erradas para o fim?
As Testemunhas de Jeová já tiveram expectativas equivocadas sobre quando viria o fim. Como aconteceu com os primeiros discípulos de Jesus, houve ocasiões em que esperamos o cumprimento de profecias antes do tempo determinado por Deus. (Lucas 19:11; Atos 1:6; 2 Tessalonicenses 2:1, 2) Mas temos a mesma opinião que Alexander Macmillan, uma Testemunha de Jeová veterana, que disse: “Aprendi que devemos admitir nossos erros e continuar a pesquisar a Palavra de Deus para obter mais esclarecimento.”
Então, por que continuamos a dizer que o fim está próximo? Porque levamos a sério as palavras de Jesus: “Persisti em olhar, mantende-vos despertos.” Se não fizéssemos isso, estaríamos “dormindo” do ponto de vista de Jesus, e isso nos impediria de ter sua aprovação. (Marcos 13:33, 36) Por quê?
Veja um exemplo: O zelador de um prédio soa o alarme de incêndio porque viu sinais de fumaça. Depois de um tempo, todos percebem que foi alarme falso. Mas um dia a atitude alerta do zelador poderá salvar vidas.
Da mesma forma, já tivemos expectativas equivocadas sobre o fim. Mas estamos mais preocupados em obedecer a Jesus e em salvar vidas do que em evitar críticas. A ordem de Jesus de dar “testemunho cabal” nos motiva a avisar outros sobre o fim. — Atos 10:42.
Em vez de nos concentrarmos em quando virá o fim, o mais importante é termos certeza de que ele realmente virá e estar preparados. Levamos a sério as palavras de Habacuque 2:3: “Ainda que [o fim] demore [comparado ao que se imaginava], continua na expectativa [dele]; pois cumprir-se-á sem falta. Não tardará.” (A Sentinela de 1º de janeiro de 2013, página 8)

Primeiro note que a liderança tirou de si a culpa e atribuiu as falsas profecias (que chama apenas de “equívocos”) a todas as “Testemunhas de Jeová”. Também considera que seus “equívocos” não são comparáveis às falsas profecias de outras religiões, mas às pequenas e inocentes dúvidas dos primitivos cristãos. Depois os repetidos avisos de “lobo” foram substituídos por apenas um falso alarme de incêndio. Também, no esforço de amenizar a gravidade dos erros, os autores parecem não perceber que incorrem em uma contradição quando perguntam, no inicio do segundo parágrafo, “por que continuamos a dizer que o fim está próximo?”. Avisos de que o fim está próximo não é o assunto em exame, mas a marcação de datas para o fim do mundo.  Como resposta à pergunta, dá-se o exemplo do zelador que soa um alarme de incêndio. Mas geralmente um alarme de incêndio é dado quando há pelos menos indícios de que há um incêndio em curso, não para alertar moradores de que um incêndio pode acontecer a qualquer momento; se assim fosse, o alarme deveria permanecer ligado 24 horas, o que faria praticamente extinguir-se o sentido de sua existência. E isso remete justamente ao que acontece com a Torre de Vigia, cujo “alarme de incêndio” está ligado há mais de um século – sem que nenhum incêndio esteja à vista. Como então espera ser levada a sério quando de fato houver um “incêndio” de proporções apocalípticas? E dizer logo depois que “estamos mais preocupados em obedecer a Jesus e em salvar vidas do que em evitar críticas” faz parecer que a autoridade religiosa está sendo criticada por fazer a coisa certa, como se Jesus Cristo, em vez de dizer que seus seguidores deveriam se manter  alertas, em razão de não saberem quando viria o fim, tivesse dito a eles que gritassem “lobo! lobo!” de vez em quando, mesmo que isso acabasse por resultar em caírem em descrédito. Por fim, lermos que “em vez de nos concentrarmos em quando virá o fim, o mais importante é termos certeza de que ele realmente virá e estar preparados”, lembra-me imediatamente das palavras de Jesus Cristo referente aos líderes religiosos do seu tempo:
Os escribas e os fariseus se sentaram no lugar de Moisés. Portanto, façam e cumpram tudo o que eles dizem a vocês, mas não ajam como eles, pois falam, mas não praticam o que dizem (Mateus 23: 2,3).



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2 comentários:

  1. Sempre é fascinante ler artigos como este,é como se estivéssemos lendo uma longa história de ficção,ou assistindo um filme onde por todo o tempo as evidencias de assassinato estivessem voltadas para o mordomo,mas nos últimos instantes o verdadeiro assassino se mostra e para nossa surpresa é o personagem que defendemos e torcemos para que fosse liberto de tanta maldade! No final,saímos do cinema com o estomago embrulhado e lamentando por termos pago um ingresso tão caro,pra sairmos tão decepcionados.A diferença é que apesar da decepção, podemos sair livremente do cinema...mas já não se pode dizer o mesmo da Torre de Vigia.Muitos não tem outra alternativa,senão continuar lá com o estomago embrulhado, porque não estão preparados para pagar o preço da saída! Poderíamos perguntar às Testemunhas de Jeová:Como podem sentir se confiante em relação ao Corpo Governante,quando vão de porta em porta dizendo que estão pregando a verdade,quando num mesmo artigo de uma revista como A Sentinela de fevereiro de 2017,o Corpo Governante diz que não recebe revelações da parte de Deus (ou seja,não é inspirado) e nem é perfeito. Por isso ele pode errar ao explicar assuntos da Bíblia ou dar orientações...Jesus não disse que o escravo ia alimento perfeito.E m outro ponto afirmam:O Espírito Santo tem ajudado o Corpo Governante a entender verdades Bíblicas que antes não eram entendidas...O Corpo Governante pensa como Paulo que escreveu:Destas coisas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas como as ensinadas pelo Espírito Santo. 2c Cr 2.13. No mesmo artigo confessam não receberem revelações da parte de Deus(no meu entender não ser guiados pelo Esp. Santo), já em outra que o Esp. Santo os ajuda entender verdades Bíblicas que antes não eram entendidas e que falam não com as palavras ensinadas pela sabedoria humana,mas com com as ensinadas pelo Espírito, tal e qual o Apóstolo Paulo...Conforme visto nesta postagem,nem Deus,nem seu Santo Espírito estiveram algum dia se envolvido em tamanha FARSA.

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    1. O Corpo Governante é realmente contraditório, "anônimo"! Para começar, o termo "Corpo Governante" trás a ideia de mandar, governar; depois disseram já muitas vezes que não são inspirados, mas são guiados pelo Espírito Santo. Como isso é possível? Ou uma coisa ou outra, as duas, simultaneamente, são impossíveis. Ainda neste mês quero escrever um artigo sobre esta revista de Fevereiro.

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