sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Corpo Governante confessa: ‘Não somos perfeitos, por isso podemos cometer erros ao interpretar a Bíblia’. O que isso deveria significar para as Testemunhas de Jeová?

Esta confissão consta na revista A Sentinela de fevereiro de 2017, edição de estudo. Não é a primeira vez que a liderança das Testemunhas faz essa confissão, mas visto que fazia mais de 20 anos que não dizia algo parecido, isso pegou de surpresa muitas Testemunhas recém-chegadas à organização.  Surpreendentemente esta confissão consta na conclusão de uma série de dois artigos em que a liderança das Testemunha reivindica ter orientação divina assim como tinham os servos de Deus do antigo Testamento, bem como Jesus Cristo e os apóstolos. Além disso, apresenta o seu próprio histórico de reformulação de doutrinas como prova de que é guiada por Deus.  


Diante disso, surgem algumas perguntas:

Como a liderança religiosa consegue conciliar estas duas afirmações?
  • Somos imperfeitos, por isso podemos cometer erros;
  • Somos guiados por Espírito Santo.

O que “responde” o histórico da religião referente à segunda afirmação da pergunta anterior?

Considerando a pergunta anterior, que posicionamento deveria ter as Testemunhas de Jeová ante o requerimento de submissão absoluta exigido pelo Corpo Governante?

Por que o Corpo Governante admite poder cometer erros?

A resposta simples é que a liderança das Testemunhas, desde os seus primórdios lá na segunda metade do século 19, tem apresentado um terrível histórico de erros.

Porém, esses erros, em sua maioria, são completamente desconhecidos de muitas Testemunhas, e uma quantidade deles, se são conhecidos, tem-se muitas vezes apenas uma descrição vaga, feitas com palavras que claramente visam minimizar a gravidade deles.

Como exemplo de erros admitidos, mas cuja admissão geralmente vêm acompanhada de frases atenuantes, pode-se citar as datas de 1914, 1925 e 1975. Em todas essas datas, Testemunhas de Jeová do mundo inteiro esperaram a intervenção divina nos assuntos humanos, ou para ser mais específico, esperaram que essas datas marcassem a volta de Cristo e o fim do mundo, mas nada disso aconteceu, o que resultou em grande decepção para todos. Também, especialmente durante a segunda metade do século passado, a liderança das Testemunhas asseverou que a geração de 14 não passaria até que viesse o fim. Mas em 1995 foi obrigada a ajustar esse conceito, apesar de que, desde então, nem sequer um pedido de desculpas foi feito aos fiéis. Também, desde então, jamais confessou que esse era um conceito defendido com fervor por aquela época, o que praticamente faz que o assunto caia no esquecimento por parte das Testemunhas e fique quase que praticamente oculto das Testemunhas recém-chegadas.

Sujeitos a erros, mas guiados por Deus; como é possível?

Os artigos da revista A Sentinela destacam três formas de Deus guiar seu povo: (1) por meio de Espírito Santo, (2) por meio de anjos e (2) pela Palavra de Deus, ou livros sagrados inspirados por ele. Como é evidente que Deus guiou seu povo por esses três meios, a Torre de Vigia reivindica que, tal qual, ela também é guiada por Espírito Santo, por anjos e pela Palavra de Deus. Esse conceito fica evidente quando se examina o esqueleto dos dois artigos, conforme imagem abaixo:



Que a Torre de Vigia comete erros, nós sabemos; e é justamente em razão desses erros que ela se vê forçada a reconhecer que errou e que pode errar. Veja, a título de exemplos, as declarações abaixo:
É preciso observar que este “escravo fiel e discreto” nunca foi inspirado, nunca foi perfeito (A Sentinela de 1º de setembro de 1979, página 23).
É verdade que os irmãos que preparam essas publicações não são infalíveis. Seus escritos não são inspirados assim como eram os de Paulo e dos outros escritores bíblicos (A Sentinela de 15 de agosto de 1981, página 19).
 O “escravo” não é divinamente inspirado (A Sentinela de1o de setembro de 1981, página 29).
O Corpo Governante não recebe revelações da parte de Deus nem é perfeito. Por isso, ele pode cometer erros aos explicar assuntos da Bíblia ou ao dar orientações (A Sentinela de fevereiro de 2017, edição de estudo, página 26).

Apesar dessas confissões de que já errou e que pode voltar a errar, o Corpo Governante está convencido de que lidera a única religião que compõe o povo de Deus nestes “últimos dias” e que, portanto, assim como Deus guiou seu povo no passado, por meio de Espírito Santo, por meio de anjos e por meio de Sua palavra, ele, igualmente, está sendo guiado por Espírito Santo, por meio de anjos e por meio da Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.

(Nota: quanto aos dois últimos “meios”, não me vou alongar sobre essas questões porque isso simplesmente pode ser colocado na categoria de “interpretações pessoais”. Cada líder religioso pode afirmar ser guiado por anjos e pela palavra de Deus, mas que, no final das contas, tudo o que se tem é uma crença na proteção angélica e uma intepretação pessoal da Bíblia.)

Referente ao Espírito Santo, a reinvindicação da Torre de Vigia pode ser submetida a um severo teste. Pois segundo as palavras de Jesus Cristo, que cito abaixo, o Espírito Santo, que foi disponibilizado após sua morte, guiaria os servos de Deus a toda a verdade.

Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas agora vocês não são capazes de suportá-las. No entanto, quando ele vier, o espírito da verdade, ele os guiará a toda a verdade, pois não falará de sua própria iniciativa, mas falará o que ouvir e declarará a vocês as coisas que virão (João 16: 12, 13; TNM).

A Torre de Vigia conhece bem essas palavras de Jesus Cristo e, até onde é do meu conhecimento, nenhuma outra religião reivindica tanto ter a orientação do Espírito Santo quanto ela o faz.

A título de exemplo, veja as seguintes declarações que consta em sua literatura, as quais foram feitas pelo mesmo período em que se autodeclarava não-inspirada, falível e sujeita a cometer erros.

É muito evidente que Jeová, pelo seu espírito santo, tem guiado e dirigido a classe do “escravo fiel e discreto” e tem abençoado seu corpo governante visível até o dia de hoje (Anuário de 1973, página 250).
Jeová, por meio de seu Filho e da operação do espírito santo, derramou sobre seus servos fiéis na terra uma superabundância de bênçãos e abriu a mente e o coração da classe de seu “escravo fiel e discreto” para compreender o verdadeiro significado de sua Palavra (A Sentinela de 1º de outubro de 1973, página 590).
Ao passo que o espírito santo ou a força ativa de Jeová continuava a dar orientação e esclarecimento, provia-se abundante alimento espiritual por meio dum composto “mordomo fiel” e de seu corpo governante. (Luc. 12:42-44; veja Atos 15:4-29.) Os que buscavam a verdade recebiam excelente alimentação espiritual por meio da Torre de Vigia de Sião e outras publicações similares (A Sentinela de 1º de janeiro de 1974, página 12).
Como o seu correlativo do primeiro século, o Corpo Governante da atualidade resolve assuntos com a orientação do espírito santo. (A Sentinela de 15 de maio de 1990, página 25).
Em nossos dias, quando chega o tempo para esclarecer certo assunto espiritual, o espírito santo ajuda homens de responsabilidade, que representam o “escravo fiel e discreto” na sede mundial, a discernir verdades profundas não entendidas antes (A Sentinela de 15 de julho de 2010, página 23).
Diante dessas declarações, alguém perguntaria: Como é possível ser guiado por Espírito Santo e ao mesmo tempo ser sujeito a erros? Nesta mesma revista de fevereiro, no primeiro artigo da série, foi feita uma tentativa de harmonizar isso quando se abordou a ajuda angélica aos servos de Deus do Antigo Testamento.  
Os anjos são perfeitos, mas é claro que os homens que eles ajudaram não eram. Por exemplo, uma vez Moisés deixou de dar honra a Jeová. (Núm. 20:12) Josué fez um pacto, ou acordo, com os gibeonitas sem perguntar a Deus o que devia fazer. (Jos. 9:14, 15) Por um tempo, Ezequias “ficou arrogante”. (2 Crô. 32:25, 26) Mesmo esses homens sendo imperfeitos, Jeová esperava que os israelitas seguissem a liderança deles. Já que Jeová usou anjos para ajudar esses homens, não havia dúvidas de que era ele que estava guiando seu povo (A Sentinela de fevereiro de 2017, edição de estudo, página 20).
Mas a Torre de Vigia deixa de destacar que essa ajuda angélica estava à disposição de todos os reis de Israel, mas a maioria deles decidiu governar segundo suas próprias inclinações, e isso ficou óbvio para todo israelita que conhecia os modos corretos de Deus administrar os assuntos daquela nação. E por fim, toda a nação de Israel foi abandonada em razão de apostasia, o que é, antes de tudo, um gritante sinal de alerta para todos os cristãos quanto a acreditar em todo e qualquer líder religioso que reivindica ter algum tipo de orientação divina.
Quanto a ajuda do Espírito Santo, admite-se que qualquer pessoa pode ler a Bíblia e interpretá-la errada, mas quem afirma ser guiado por Espírito, tem, no mínimo, que apresentar alguma evidência de que toma decisões sob orientação divina. Pode a Torre de Vigia apresentar esta evidência?
Abaixo segue o famigerado parágrafo 12 da revista A Sentinela de fevereiro. Em sua conclusão, o Corpo Governante faz a pergunta de que estamos ansiosos para obter a resposta: “Que provas temos de que o Corpo Governante é o escravo fiel?”.

A autoridade religiosa, nas declarações acima, introduz a referência ao índice de publicações com a expressão “Tanto é que”. Isso sinaliza que apresenta as suas reformulações de doutrinas como uma prova de que não são infalíveis e que podem cometer erros. Porém, no parágrafo seguinte, conforme citado abaixo, a prova apresentada acima é reapresentada para provar exatamente o oposto, isto é, que as tais reformulações de doutrinas só se justificam se forem encaradas como prova de orientação via Espírito Santo.

Posto isso, examinemos alguns assuntos do índice da Torre de Vigia e chequemos, nós mesmos, se os ajustes de doutrinas são de fato prova de orientação via Espírito Santo, ou, ao contrário, se provam apenas que as interpretações não passam de meras especulações humanas.
Sodoma e Gomorra
Procure no verbete “Esclarecimento de crenças” as palavras “Sodoma” ou “Gomorra”.  O leitor Testemunha de Jeová encontrará apenas uma referência, que é datada de 1988. Neste ano, O Corpo Governante examinou a questão quanto a se as pessoas daquelas cidades seriam ressuscitadas e concluiu que a resposta era negativa. Esta conclusão era contrária uma conclusão de 1965, quer por sua vez era contrária a outra de 1952, que contrariava o conceito de Charles T. Russell, que é datado de 1877. Quem, em sã consciência, examinaria esses “ajustes” e veria neles alguma evidência de orientação do Espírito Santo? Mas apesar de o Corpo Governante ter convidado as Testemunhas a fazer um exame dessas reformulações de doutrinas, este assunto referente à ressurreição, ou não, dos habitantes de Sodoma e Gomorra foi cuidadosamente deixado ausente nesta seção do índice.
Autoridades superiores
Referente às “autoridades superiores” de Romanos 13, o verbete “Esclarecimento de crenças” indica 3 datas: 1886, 1929 e 1962. Nesta última data, a liderança das Testemunhas entendeu que as “autoridades superiores” eram os governos humanos, aos quais os cristãos deveriam demonstrar sujeição relativa. Uns trinta anos antes, em 1929, esta mesma liderança adotara o conceito de que estas “autoridades” representavam Jeová e Jesus Cristo, em completa rejeição do conceito de Charles T. Russell, de 1886, que era o mesmo conceito que voltaram a adotar em 1962.  A data de 1886 é citada unicamente pela revista A Sentinela de 1º de maio de 1996, que conclui à página 14:  
Artigos publicados em A Sentinela [...] apresentaram uma explicação exata do capítulo 13 de Romanos e forneceram também um conceito mais claro do que o tido no tempo de C. T. Russell. Esses artigos salientaram que a sujeição cristã às autoridades não pode ser total. Tem de ser relativa.
No entanto, em seu livro Em Busca da Liberdade Cristã, páginas 579 a 584, Raymond Franz mostra citações do tempo de Russell que indica que ele tinha exatamente o mesmo conceito de “sujeição relativa” que a Torre de Vigia adotava em 1962. Além disso, ele cita uma obra de Albert Barnes, datada da primeira metade do século 19, onde se verifica que o conceito de “sujeição relativa” já era entendido pelos chamados integrantes de “Babilônia, a Grande”. Novamente, quem faria um exame honesto deste assunto e concluiria que a liderança das Testemunhas é guiada por Espírito Santo? Se o atual conceito é correto e resultado de revelação divina, por que não foi assegurado, ao longo das décadas, a manutenção do conceito de Charles T. Russell? Se a liderança das Testemunhas de Jeová, que teve início em Russell, é de fato a única liderança religiosa que Deus guia, por que este conceito correto sobre “autoridades superiores” foi revelado primeiramente a integrantes de “Babilônia, a Grande”?
Vacinas e transplantes
Talvez milhares de Testemunhas de Jeová pelo mundo inteiro vão seguir a sugestão da Torre de Vigia e examinar o verbete “Esclarecimento de crenças”. Mas, dentre muitos assuntos, lá nada encontrarão sobre vacinas e transplantes. E isso, a meu ver, tem um bom motivo, uma vez que as excursões feitas pela Torre de Vigia nesse campo foram demasiadamente vergonhosas, nada condizente com uma liderança religiosa orientada pelo Espírito Santo.
Em resumo:
Em 1929, supostamente guiada pelo Espírito Santo, a organização Torre de Vigia declarou que as vacinas eram um “crime”, visto que transmitiam várias doenças, inclusive a sífilis, e que, portanto, eram de uso impróprio pelas pessoas “ponderadas”; mas em 1952 colocou a questão na categoria de decisão pessoal.
Em 1961, a Torre de Vigia escreveu que transplantes era assunto de decisão pessoal. Mas em 1967 foi taxativa de classificou esse tratamento como “canibalismo” – um conceito que permaneceu em vigor até 1980.
Dito isso, fica evidente ao leitor porque a organização Torre de Vigia considerou apropriado omitir esses assuntos de seu verbete “Esclarecimento de crenças”. Mais uma vez, quem examinaria esse assunto encontraria um vestígio que fosse de orientação divina?
“A geração de 14”.
Como parte de suas últimas palavras aos apóstolos, Jesus Cristo falou de uma ‘geração que não passaria’ até que ocorresse todos os sinais que ele acabara de citar.  Quem era essa geração que não passaria? As Testemunhas de Jeová que recorrerem ao verbete “Esclarecimento de crenças” verão apenas duas referências a esta geração, ambas datadas de 1995 e 2008. Quem pesquisa esse assunto há mais tempo, sabe que durante quase toda a segunda metade do século 20 a Torre de Vigia asseverou que pessoas que viviam em 1914 ainda estariam vivas quando chegasse o fim. Esta geração de pessoas era a“geração de 14” que não passaria. Mas em 1995, ante o iminente fracasso da “profecia”, as palavras de Jesus Cristo foram reinterpretadas; declarou-se que elas se referiam ao comportamento geral, ou estilo de vida, que caracterizaria as pessoas de nossa época, e que esta geração, com essas características, permaneceria até o fim. Mas em 2008 o conceito foi descartado em prol do conceito que se tinha em 1927.  O intrigante deste retorno ao um conceito antes descartado é que o Corpo Governante tomou o cuidado de não confessar isso às Testemunhas. Também, evidentemente, nenhuma Testemunha de Jeová que recorrer ao verbete “Esclarecimento de crenças” encontrará qualquer referência que ligue a data de 1927 a um conceito da palavra “geração”.  Novamente cabe a pergunta: quem encontrará nessas interpretações algum indício, por menor que seja, de alguma orientação do Espírito Santo?
Escravo Fiel e Prudente
Jesus Cristo, na sequência do discurso citado anteriormente, faz uma a seguinte pergunta:
Quem é realmente o escravo fiel e prudente, a quem o seu senhor encarregou dos seus domésticos, para lhes dar o alimento no tempo apropriado? (Mateus 24: 45).
O livro Proclamadores do Reino, às páginas 143 e 626, afirma que em 1927 este “Escravo Fiel e Prudente” foi entendido como sendo o corpo de todos os cristãos ungidos e que esse conceito era a reafirmação do conceito já expresso por Charles T. Russell. Mas esta reafirmação só foi necessária porque algum tempo antes da morte de Russell as palavras de Jesus Cristo foram aplicadas a ele (que, aliás, mostrou muito pouca resistência ao rejeitá-las), e este conceito permaneceu após sua morte, o que tornou necessário reafirmar o que se tinha originalmente.  Esta doutrina prevaleceu por todo o restante do século, e mesmo depois que passou a existir o Corpo Governante, com papel de provisor espiritual, a partir da década de 1970. Em 2013, porém, o Corpo Governante aplicou a si mesmo as palavras de Jesus Cristo, em uma demonstração gritante de que afirmar algo por quase 100 anos não é nenhuma garantia de que se diz uma verdade. A respeito dessa questão, André Ricardo escreveu em sua carta de dissociação: “A minha [conclusão] é: o chamado “escravo fiel e discreto” das Testemunhas de Jeová não sabe quem ele mesmo é. Pelo menos com certeza não sabia quem ele era até 2013. E, se mudar de novo, é prova que continua não sabendo”.  Mais uma vez cabe a pergunta: quem concluiria, num exame desse assunto, que há nele evidência de orientação divina?


Diante desse histórico de reformulações de doutrinas, que consiste muitas vezes em voltar a um conceito antes abandonado, pode-se perguntar que certeza há de que as outras dezenas de doutrinas ou interpretações estão corretas, se são verdadeiramente frutos de orientação divina. Ante essa evidente incerteza, cabe analisar outro fator que muito caracteriza a liderança das Testemunhas.
O requerimento de submissão absoluta
A maioria dos conceitos bíblicos da Torre de Vigia afeta muito pouco a vida das Testemunhas, a exemplo dos conceitos sobre mortalidade da alma, 144 mil, Trindade, Corpo Governante e “autoridades superiores”. Mas que dizer da proibição de transfusão de sangue, que têm resultado em incontáveis mortes de Testemunhas? Que dizer da proibição de falar com ex-membros, que têm resultado em muitas famílias destruídas? A respeito dessas duas últimas questões, alguém pode contestar dizendo que tais assuntos são bíblicos e que, portanto, quanto a esses conceitos, o Corpo Governante jamais retrocederá. Não questiono aqui a interpretação que cada pessoa pode fazer desses assuntos. Se alguma Testemunha decide não aceitar transfusão, ou corta suas relações de amizade com amigos ou familiares desassociados ou dissociados, por acreditar que nisso está fazendo a vontade de Jeová, esta pessoa tem todo o meu respeito. O que para mim é inadmissível é que pessoas venham a óbito ou tenham destruídas suas famílias ou amizades de décadas em razão de obediência irrestrita a autoridades religiosas, ainda que estas afirmem se basear na Bíblia. No que tange à liderança das Testemunhas de Jeová, posso afirmar com certeza que nenhuma argumentação bíblica é garantia de que o que se diz é de fato uma posição estabelecida de nosso Pai Jeová; pois, por todas as vezes que se defendeu a ressurreição dos habitantes de Sodoma e Gomorra, pelo tempo que se afirmou que Jeová e Jesus Cristo eram as “autoridades superiores”, pelo tempo que se argumentou contra o uso de vacinas e transplantes, pelo tempo que se defendeu que a “geração de 14” não passaria e pelo tempo que todos os ungidos Testemunhas eram considerados o Escravo Fiel e Prudente, por todas as vezes que esses conceitos agora tidos por errados foram defendidos como sendo o conceito de Jeová, foi a Bíblia que se usou para firmarem tais conceitos. Portanto, no que tange à Torre de Vigia, usar a Bíblia para defender uma interpretação, por mais bela e complexa que seja a argumentação, não é nenhuma garantia de que se está a defender a vontade do Criador.  Dito isso, posso afirmar com convicção que quem perdeu pai ou mãe, marido ou esposa, filho ou filha, em razão de recusa de transfusão de sangue, ou quem teve sua família destruída em razão de desassociação ou dissociação, pode ter sofrido em vão cada uma dessas perdas.

Em razão disso, para as Testemunhas que lerem este artigo, o meu conselho é que levem a sério essas sinceras palavras do Corpo Governante quanto a poder cometer erros ao explicar a Bíblia e dar orientações.  Poder cometer erros, na visão de uma ex-Testemunha, não foi uma declaração honesta, porque o fato é que o Corpo Governante já errou muitas vezes, bem como as lideranças anteriores, e isso ficou bem claro neste exame. Assim, quando estiver diante de uma situação que requer sacrifícios que envolvam seu pai, sua mãe, filho ou filha, ou que lhe sujeite a perder a vida numa sala de cirurgia ou vir a causar que morra alguém sob seus cuidados, pense em tudo o que você já sabe sobre o assombroso histórico de erros desta organização religiosa e decida se vale a pena sujeitar-se aos sacrifícios que as circunstâncias se lhe apresentam.  


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7 comentários:

  1. Muito bom o artigo! Gostaria de fazer algumas observações que obtive ao estudar profundamente a religião TJ. A STV e principalmente seus defensores, ao confrontar com acusações sobre os erros da organização. O principal ponto de partida, é falar dos servos de Deus no passado que também cometia erros, e ainda assim Deus estava com eles, conforme foi salientado neste artigo. Afinal, todo mundo comete erros. Os servos de Deus na Bíblia desde Moisés, até os apostolos também cometia erros. Enfim, todos nós erramos.

    Porém, o que eu observo é que a STV e seus defensores procuram comparar os erros da organização, em termos de doutrinas que são os ensinos que com o tempo se mostram falsos, inclusive alguns até foi citado no presente artigo. As TJs fazem uma comparação tendenciosa com os erros dos servos de Deus do passado. Mas, vale ressaltar que esses servos erraram por conta de sua imperfeição. Nada tinha a ver com aquilo que Deus os comissionou a fazer, como pregar aquilo que Deus mandou. Os servos de Deus na Biblia, NUNCA pregaram algo que posteriormente tem se mostrado falso, nunca mudaram uma doutrina por outra totalmente diferente.

    Muitos dos defensores TJ, citam textos como de Atos 1:6, onde ali os discipulos tinham se equivocado quanto ao estabelecimento do reino, mas se esquecem que esses discipulos NUNCA PREGARAM ESSA EXPECTATIVA COMO PARTE DAS BOAS NOVAS, pois eles foram repreendidos no vs seguinte. Ao contrário das TJs. Elas erraram? Sim! Mas o principal problema não esta em se equivocar, e sim, no ATO DE DIVULGAR TAL EQUÍVOCO, e principalmente sendo encarado como "verdade", e afirmando estar sendo guiado pelo espirito de Deus.

    É EXATAMENTE NESSE PONTO, QUE A TORRE DE VIGIA E SEUS DEFENSORES TROPEÇAM, e tropeçam feio!

    Pois acham que tal comparação justifica as doutrinas falsas que organização tem divulgado por muitos anos. É coisa do passado? Sim! Mas faz parte da história daquela que se intitula "a única religião verdadeira e escolhida por Jeová".

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  2. Olá Lourisvaldo!Como sempre, seus artigos são muito informativos por trazer pontos que muitas testemunhas jamais enxergariam por si mesmas...eu mesma, nem tinha pensado em pesquisar a lista de clarificações de crenças a que a revista se referiu, mas se ainda fosse uma Tj, com as informações minimizadas ali, jamais chegaria a saber o quanto estavam sendo omitindo, e ainda sairia elogiando a humildade do Corpo Governante em não deixar nada escondido.Outro dia examinando alguns sites e blogs que vc indicou,fiquei chocada com as trapaças da organização em colocar algumas informações como estas já estivessem em literaturas antigas, com a certeza que seus membros jamais teriam acessos a elas...como a experiência na Sentinela de 1 de maio de 1988, pg 22 onde relata que uma Senhora ao visitar uma filial da TV no Japão, recebeu o livro A Harpa de Deus para que pudesse confirmar ali que o segundo advento, ou vinda de Jesus, se deu em 1914...o fato é que nesse livro dizia o seguinte:"...foi no ano de 1874 a data da presença de nosso senhor." e outra que dizia que um soldado havia recebido um testemunho de um ex soldado que havia se associado com os Estudantes da Bíblia e lhe disse que Jesus já estava presente desde 1914.Era o ano de 1920...só que até 1927 a Torre de Vigia ainda estava ensinando que que Jesus foi entronizado Rei em 1874.A Sentinela de 1 setembro de 1990, pg 11 e A Sentinela de 15 de fevereiro de 1927 pg 54 (ingles). Enfim, tudo para fazer com que as Tjs acreditem que eles já haviam profetizado a respeito da entronização de Jesus em 1914 e o começo dos últimos dias, quando na verdade diziam que Jesus foi entronizado em 1874 e em 1914 viria o armagedom, o fim total! A lista de mentiras e trapaças, que jamais poderiam ser consideradas apenas erros credenciados pela imperfeição, é infinita...é revoltante! Parabéns pelo artigo e um grande abraço!

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  3. Excelente, santo irmão. Parabéns mesmo.

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  4. Esta postagem já está entre as 10 mais acessadas do blog, com quase 700 visualizações!

    Este artigo de A Sentinela veio numa boa hora para talvez milhares de Testemunhas pelo mundo inteiro.

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  5. Vamos torcer por isso, Lourisvaldo, pois eu lembro que uns meses antes de descobrir o outro lado da moeda da Torre, estava muito deprimida e pensando até mesmo em dar cabo em minha vida. Lia as encardernações da Sentinela ( pois como estava muitos anos afastada, não participei daquele arranjo de levar as literaturas antigas para os salões de assembléias para serem incineradas) e num artigo encontrava consolo, em outro me sentia torturada. Quando a idéia de morrer começou a ficar forte, chorando muito fui ler alguns artigos e me deparei com um que dizia que muitos se suicidavam para fugir de de uma situação que os deixavam envergonhados e não tinham coragem de assumir e citou até como isso se chamava em japonês...Pensei: Meu Deus! nem morrer é solução pra mim...não tenho saída...parece que estou numa máfia! E realmente estava...alguns meses depois vim a descobrir toda a sujeira desta organização. Que alívio foi saber que Jeová não tinha nada a ver com esta organização, e que eu estava sofrendo mesmo era pela crueldade de homens que se diziam escolhidos por ele. Conto isso, porque sei que muitos sofrem sem saber o que fazer, achando que que Deus os abandonou e ainda mandou algozes para tortura-los. Vou orar para que os mansos e sinceros abram definitivamente os olhos e se libertem!

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  6. Realmente, essa organização é uma verdadeira mentira!
    Embora tenha confessado hoje que cometeu diversos erros em seus ensinamentos, mas não o fez por ser humilde, mas com medo de ser contestada de suas anteriores conclusões errôneas. Sabia que devido a internet, seus ensinamentos enganosos do passado estão sendo confrontados constantemente por aqueles que procuram, de fato, a verdade.
    As declarações anteriores só foram feitas porque na época não havia a internet e logo,logo seu rastro de mentiras seriam esquecidos pelos que se conformam em apenas receber o suposto alimento espiritual distribuído pelo agora escravo fiel e prudente, outrora chamado de escravo fiel e discreto. Talvez, aí esteja a explicação de essa organização confessar sua falta de inspiração divina, porque antes, discretamente, ensinava mentiras; hoje, ensina com prudência as suas .mentiras.
    Se essa organização confessa que não possui inspiração de Deus, então, me diga por que deveria eu saí de babilônia, a grande e ir para "a verdade?"
    Como essa organização não sabe o que fala, talvez ela seja a organização de Deus e não sabe.
    Agora é um absurdo essa frase " Jesus não disse que o alimento fornecido pelo escravo seria perfeito". Soa como que uma berração! Não é Tiago que diz que "todo presente perfeito vem do Pai das luzes celestiais"?
    A desculpa de dizer que outras denominações religiosa também proferiram profecias ou doutrinas falsa, não se sustenta, tampouco se justifica. Essas religiões chamadas pelas Tj de falsas religiões não saiam, de casa em casa, dizendo que eram a religião que possuía a verdade, não. Não foram elas que propagavam para os quatro cantos do mundo que elas, sim, eram as testemunhas do verdadeiro Deus, não.
    Com que base poderão elas incentivar outros a não tomar sangue e outras proibições absurdas?
    Com que base dizem que a TNM é a melhor e mais confiável tradução que existe, já que confessam que suas doutrinas podem conter erros? Esses mesmos erros e equívocos não poderiam estar em inúmeros textos modificados ou interpretados na TNM?
    Essa religião não passa de uma das filhas de babilônia, a grande.
    E os pecados dessa realmente ascendeu aos céus, pois suas mãos estão manchadas de sangue de muitos inocentes. Enganados por falsas promessas travestidas de "verdade"

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