domingo, 18 de março de 2018

Congresso de 2018 das Testemunhas de Jeová: analisando o simpósio profético


 “Nuvens negras no horizonte da humanidade” 
Foi apenas há alguns anos que, somente ao chegar ao local de congressos, era-me entregue o programa do evento. Até aquele memento eu tinha apenas um título demasiadamente genérico, a respeito do qual fazia inúmeras conjecturas do que seria dito. Agora ele podeser baixado diretamente da internet e as dezenas de discursos listados, juntamente com a sua classificação em simpósios, dá-nos um norte muito melhor que um simples tema.


E no que se refere ao congresso de 2018, nota-se que a própria Torre de Vigia, em seu simpósio da manhã de domingo, decidiu ela própria enveredar-se pelo caminho das conjecturas ao abordar temas tais como o clamor de paz e segurança, o ataque dos governos às “religiões falsas”, o ataque de Gogue de Magogue e até sobre o que acontecerá depois do fim do milênio. Apesar deste ensaio profético, muito provavelmente tudo o que será dito já agora deve estar escrito nas revistas e livros da Torre de Vigia, uma vez que, pelo que se tem observado nos últimos anos, ela tem divulgado mudanças doutrinárias apenas nas Reuniões Anuais.

Independentemente do que aconteça, decidi expor aqui quais as explicações atuais da Torre de Vigia para esses assuntos, conforme explicado em suas publicações – com o objetivo de detectar, por ocasião dos congressos, quaisquer mudanças de ensinos que possa haver.  Comecemos então:


Paz e segurança



Quando estiverem dizendo: “Paz e segurança! ”, então virá instantaneamente sobre eles a repentina destruição (1 Tessalonicenses 5:3)

Esse assunto tem sido pauta constante da Torre de Vigia, como pode ser observado em sua literatura, mas esteve em voga principalmente nos anos 70 e 80.  Em fins dos anos 80, quando as principais religiões e governos empenhavam-se para que a guerra fria não culminasse numa catastrófica terceira guerra mundial, a Torre de Vigia gritava aos quatro ventos que a “geração de 14” não passaria e que o clamor mundial de “paz e segurança” era inútil:
A profecia bíblica mostra que as nações farão um esforço conjunto de ter paz em nosso tempo. [...] Tal clamor de “paz e segurança” não significará que a decadência deste mundo regrediu. A Segunda a Timóteo 3:13 diz que “os homens iníquos e os impostores passarão de mal a pior”. A realidade ainda será assim como disse o presidente duma organização de proteção ao meio ambiente: “O problema central com que a sociedade [humana] se confronta é que ela se tornou ingovernável (A Sentinela de 15 de maio de 1987, páginas 18,19).
Apesar desse prognóstico sombrio, a guerra fria não culminou na terceira guerra mundial e nem numa anarquia global; antes, a paz alcançada já se estende por quase 30 anos, e foi a Torre de Vigia que viu tombar uma de suas maiores aclamações proféticas daquele século: a “geração de 14”, que não passaria, foi descartada como lixo e o conceito de geração desde então já foi revisado outras duas vezes.
A Torre de Vigia lava as mãos quando o assunto é a paz mundial. Em razão de seu conceito de neutralidade política, ela se nega a apoiar quaisquer empenhos políticos pela paz mundial, nem mesmo por meio de orações. Em vez disso, parece ter adotado o conceito de “quanto pior, melhor”. Quanto pior o mundo, mais justificável fica o seu uso de declarações bíblicas como “os impostores passarão de mal a pior” e que “não cabe ao homem nem mesmo dirigir os seus passos”. Por outro lado, quando diálogos entre os governos sinalizam que a paz pode ser alcançada e o mundo clama de alegria, as Testemunhas são alertadas contra deixar-se encantar por tais conquistas, pois fazer isso pode sujeitá-las a uma “repentina destruição”.  Ou seja, mesmo considerando um cenário em que a plena paz mundial vigore, as Testemunhas são instadas a ir no caminho contrário, adotando um estado de vigilância que beira ao pânico.
Mas o que é de fato o brado de “paz e segurança”? Em resposta, o livro O Reino de Deus já Governa, páginas 222 e 223, declara:
Essa expressão pode se referir a um pronunciamento ou a uma série de declarações notáveis.
A passagem bíblica nada fala sobre o apoio religioso ao brado de “paz e segurança”, mas a Torre de Vigia não foge ao seu habitual modo de demonizar as religiões e especula:
Será que os líderes religiosos estarão envolvidos? Visto que fazem parte do mundo, é possível que eles se juntem às nações em dizer: “Há paz!”
Mas em razão de o relato bíblico ser muito sucinto, em 2013 escreveu-se:
Quem fará essa importante declaração de “Paz e segurança!”? Que participação terão os líderes da cristandade e de outras religiões? Como os líderes de vários governos estarão envolvidos nessa proclamação? As Escrituras não dizem.
E então, para manter as Testemunhas em estado de alerta, a publicação continua:
O que nós sabemos é que ela será apenas uma fachada, não importa como será feita ou quão convincente parecerá. Este velho sistema ainda estará sob o controle satânico. Ele está totalmente podre e continuará assim. Como seria triste se alguém de nós acreditasse nessa propaganda satânica e violasse sua neutralidade cristã! (A Sentinela de 15 de novembro de 2013, página 13).
A Torre de Vigia, desde os seus primórdios com Charles T. Russell, sempre esteve a afirmar que sabia onde se encontrava na corrente do tempo, apesar de que os fatos provaram o oposto. Os vários fracassos proféticos relacionado a datas para o fim são evidências suficientes para qualquer entidade religiosa tomar por lição e passar a ser muito mais cautelosa quanto a fazer afirmações tão taxativas a respeito desses assuntos. Mas a Torre de Vigia dá mostra de que a lição ainda estar por aprender:
Não estais em escuridão, de modo que aquele dia vos sobrevenha assim como a ladrões.” (1 Tes. 5:3, 4) Ao contrário das pessoas em geral, nós discernimos aonde os acontecimentos levarão (O Reino de Deus já Governa, páginas 222, 223).
Diferentemente da humanidade em geral, nós discernimos o significado bíblico dos acontecimentos atuais (A Sentinela de 15 de setembro de 2012, página 4). 
Diferentemente disso, pelos últimos 140 anos, foram as “pessoas em geral”, ou a “humanidade em geral”, que manteve o equilíbrio emocional para lidar com os desafios da vida à medida que surgiam, sem a necessidade de estarem numa eterna expectativa de um fim que nunca veio.
O que os discursos de congressos dirão além disso, esperemos para ver.


O ataque às religiões




Os dez chifres que você viu e a fera odiarão a prostituta; eles a deixarão devastada e nua, comerão a sua carne e a queimarão completamente no fogo. Porque Deus pôs no coração deles o desejo de executarem o pensamento dele, sim, de executarem o pensamento único deles dando à fera o reino que possuem, até que as palavras de Deus se cumpram (Apocalipse 17:16, 17).

Pois então haverá grande tribulação, como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem ocorrerá de novo. De fato, se não se abreviassem aqueles dias, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados (Mateus 24:21, 22).

A Torre de Vigia pegou a expressão “Babilônia, a Grande”, conforme consta no livro de Apocalipse, e interpretou que ela se refere ao conjunto de religiões falsas.  “Babilônia, a Grande” é representada por uma meretriz que cavalga uma fera; essa fera, segundo a interpretação, se refere às Nações Unidas, que num dado momento, mediante seus países-membros, se voltará contra as religiões e lhes arrancará todas as posses.

Em um artigo na revista A Sentinela de 15 de julho de 2015, páginas 15 e 16, foi dito que esse ataque resultará até mesmo na morte dos integrantes das religiões falsas:
Mas será que a destruição das religiões de Babilônia, a Grande, resultará na morte de todos os ex-membros dessas religiões? Aparentemente, não. [...] tudo indica que até mesmo alguns líderes religiosos abandonarão sua carreira e negarão já ter pertencido a essas religiões falsas.
Esse ataque das Nações Unidas contra as religiões, a meu ver, faz muito pouco sentido. Sabe-se que todas as civilizações conhecidas, com poucas exceções, tiveram o sagrado como um componente básico de suas culturas; e mesmo agora, na era da informação, a UNESCO, que é um dos órgãos das Nações Unidas, tem tomado um papel essencial na preservação da cultura, o que inclui a preservação de costumes dos povos e isso inclui a preservação dos costumes ligados à religião.  A literatura da Torre de Vigia nunca declarou especificamente que as Nações Unidas vão querer erradicar a religiosidade das pessoas, mas que irão proscrever as religiões e tomar todas as suas posses. Que efeito prático isso pode ter, além de incitar revolta popular? A Torre de Vigia diz que o objetivo do ataque às religiões é preservar a paz. Ora, se as religiões são um obstáculo à paz, significa que elas ainda exercem considerável influência na população, talvez porque ainda possuam adeptos em números significativos; sendo esse o caso, a menos que os países-membros da ONU se tornem verdadeiras ditaduras, foge ao bom senso esperar que países democráticos tomem medidas tão impopulares, porque, caso o façam, poderão ser imediatamente destituídos do poder.  Além do mais, se o ataque às religiões resultará também na morte dos adeptos, exceto daqueles que renegarem a fé, isso significará um verdadeiro massacre popular por parte dos governos. Visto que um massacre dessa magnitude costuma gerar insatisfação por parte do povo, é de esperar que esses governos calculem bem o custo de agirem conforme a intepretação profética da Torre de Vigia.  Se têm por objetivo manter a paz, parece pouco inteligente, a meu ver, que podem começar por exterminar metade de suas populações.
Para a Torre de Vigia, esse ataque dos governos será também o início da “grande tribulação” de Mateus 24:21, 22. A revista citada anteriormente continua:
O que acontecerá com o povo de Deus nesse tempo? Jesus explica: “De fato, se não se abreviassem aqueles dias, nenhuma carne seria salva; mas, por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.” (Mat. 24:22) [...] a parte inicial da futura grande tribulação será ‘abreviada’ por causa dos “escolhidos”. Não se permitirá que os “dez chifres” políticos aniquilem o povo de Deus. Haverá um breve alívio.
Com mais clareza, o livro O Reino de Deus já Governa, páginas 222 a 226, acrescenta:
Jeová, por meio de nosso Rei, ‘abreviará’ o ataque da ONU contra a religião para que a religião verdadeira não seja destruída com a falsa. Assim, ao passo que todas as organizações religiosas falsas serão eliminadas, a única religião verdadeira sobreviverá.
O que acontecerá quando os governos cessarem seu ataque às religiões, quando tiverem proscrito a todas elas, saqueado seus bens e matados a maior parte de seus adeptos? A revista de 2015 explica:
Embora não entendamos tudo que acontecerá durante esse período de provação, podemos esperar que ele envolva certa medida de sacrifício. No primeiro século, os cristãos tiveram de abandonar seus bens materiais e enfrentar dificuldades para sobreviver. (Mar. 13:15-18) Será que estaremos dispostos a sofrer perdas materiais para nos manter fiéis? Estaremos preparados para fazer o que for necessário para provar nossa lealdade a Jeová? Pense nisto: nessa época, seremos os únicos a seguir o exemplo do profeta Daniel por continuar adorando nosso Deus, não importa o que aconteça. — Dan. 6:10, 11.
A Torre de Vigia sinaliza que será necessário ter coragem para permanecer leal em tempos tão difíceis e apoia-se na situação de Daniel. O profeta bíblico tinha o costume de orar a Deus no terraço de sua casa, à vista do povo; porém, quando foi editado uma lei que tornava isso um crime de morte, ele teve que escolher continuar orando no terraço ou passar a orar escondido. Como, na concepção dele, passar a orar escondido significava falta de fé em seu Deus, ele decidiu continuar orando no terraço. Que lição os líderes da Torre de Vigia tiraram do exemplo desse fiel profeta?
Rutherford, em 1918, começou por sucumbir ao medo e aceitou retirar uma porção de páginas do livro O Mistério Consumado quando o governo dos Estados Unidos exigiu que fizesse isso (veja o livro Proclamadores do Reino, páginas 651, 652). Mais para o fim de sua vida, quando estava prestes a começar a Segunda Guerra, ele exigiu que as Testemunhas de Jeová alemãs demostrassem coragem e enchessem a Alemanha com mensagens de condenação, mas ele mesmo ficou bem longe! Começando a guerra, centenas de Testemunhas foram executadas e milhares foram presas e sofreram horrores –fato que hoje é exibido na literatura da Torre de Vigia como exemplo de coragem. Décadas depois o Corpo Governante retratou a si mesmo como o topo de uma hierarquia, mas quando foi ficando claro que ser o topo de uma hierarquia o tornava alvo fácil dos governos, passou a retirar-se, como que saindo pela tangente, e no ano 2000 seus membros renunciaram a todos os seus cargos na diretoria da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Agora, embora eles continuem sendo os verdadeiros responsáveis pelas doutrinas e centenas de regras que regem a vida das Testemunhas, caso os governos decidam tomar ação contra a religião, conseguirão atingir apenas os “laranjas” que foram postos na diretoria. Você acha que isso é exemplo de coragem do tipo demostrada por Daniel? Muito diferente ainda é do tipo de coragem demostrada por Jesus Cristo quando os soldados romanos vieram prendê-lo no Monte das Oliveiras; quando disseram a quem procuravam, Jesus rapidamente se identificou e seus amigos puderam fugir e escaparam da prisão. Há muito mais que se pode dizer sobre isso, mas quando o Corpo Governante fala em coragem, quase sempre são as Testemunhas que pagam o preço maior – em muitos casos com a própria vida.


Como o Corpo Governante representava a si, conforme A Sentinela de 1º de junho de 1972, página 333. 



Como o Corpo Governante representa a si agora, conforme A Sentinela de 15 de abril de 2013, página 29. 

É certo que o assunto em questão é apenas um cenário hipotético – que o Corpo Governante calcula que será uma realidade no futuro bem próximo –, mas o que aqui foi dito sobre coragem deve servir de alerta às Testemunhas quanto a levar a sério todos os requerimentos de lealdade de sua liderança. Esse alerta é oportuno ainda mais quando se tem em mente o nível de submissão exigido para esse tempo esperado, conforme escrito na Sentinela de 15 de novembro de 2013, página 20, parágrafo 17:
Todos nós devemos estar prontos para obedecer a quaisquer orientações que recebamos, quer pareçam fazer sentido de um ponto de vista estratégico, quer não.


Mensagem de julgamento

Mas as Testemunhas não ficarão caladas nesse pequeno período de calmaria, depois de iniciada a Grande Tribulação.
A  revista de 2015 continua:
Não será a hora para pregar as “boas novas do reino”. A hora para isso já terá passado. Terá chegado a hora de vir “o fim”. (Mat. 24:14) Sem dúvida, o povo de Deus proclamará uma forte mensagem de julgamento. Isso poderá muito bem envolver uma declaração anunciando que o mundo perverso de Satanás está para acabar. A Bíblia compara essa mensagem a pedras de saraiva, ou granizo, ao dizer: “Uma grande saraivada, cada pedra tendo aproximadamente o peso de um talento, caiu do céu sobre os homens, e os homens blasfemaram a Deus devido à praga da saraiva, porque a praga dela era extraordinariamente grande.” — Rev. 16:21.
E o livro O Reino de Deus já Governa, página 226, relaciona essa mensagem de julgamento com a volta de Cristo para a separação entre ovelhas e cabritos, quando ele julgará ambos os grupos, quer para salvação, quer para condenação.

Todos os inimigos do Reino de Deus serão então obrigados a presenciar um acontecimento que aumentará sua agonia. Jesus diz: “Verão o Filho do homem vir nas nuvens, com grande poder e glória.” (Mar. 13:26) Essa demonstração sobrenatural de poder indicará que Jesus chegou para pronunciar julgamento. Em outra parte dessa profecia sobre os últimos dias, Jesus dá mais detalhes sobre o julgamento que será pronunciado a essa altura. Encontramos essa informação na parábola sobre as ovelhas e os cabritos. (Leia Mateus 25:31-33, 46.) Os apoiadores leais do Reino de Deus serão julgados como “ovelhas” e ‘levantarão a cabeça’, dando-se conta de que seu “livramento está-se aproximando”. (Luc. 21:28) Mas os opositores do Reino serão julgados como “cabritos” e ‘se baterão em lamento’, dando-se conta de que “o decepamento eterno” os aguarda. — Mat. 24:30; Rev. 1:7.

Jesus Cristo falou sobre a sua vinda e sobre o julgamento que faria, o que significa que somente naquela época é que as pessoas serão julgadas como cabritos ou como ovelhas, mas as Testemunhas de Jeová se anteciparam ao julgamento de Cristo e classificaram a si mesmas como ovelhas. Isso faria o julgamento de Cristo apenas uma formalidade.
Embora isso pareça incorreto do meu ponto de vista, as Testemunhas, em razão de se considerarem a única religião verdadeira, raciocinam que não há nada de errado nisso, que não faz nenhum sentido Jesus Cristo vir para salvar qualquer outra pessoa que até aquela época decidiu permanecer longe de um Salão do Reino. Esse conceito de nós e eles, nós, os “irmãos”, e eles, os “mundanos”, parece tornar muito natural para elas o conceito de que a vinda de Cristo será apenas para confirmar um julgamento que elas já fizeram e, por conseguinte, reforça ainda mais nelas a atitude há muito incentivada por seus líderes de que nada devem ter que ver com os “mundanos”.
Imbuídas desse sentimento de exclusividade, as Testemunhas transmitirão a sua mensagem de julgamento, seja ela qual for, seja lá de que forma, e depois se recolherão em esconderijos diversos, talvez munidas de água e comida, para ficarem à espera dos próximos eventos. Esse momento de espera foi bem retratado no congresso de 2016, na encenação de uma estadia num bunker, uma espécie de sótão, enquanto policiais corriam as ruas a fim de manter a ordem no que seria, literalmente, os últimos dias deste velho mundo.

Testemunhas de Jeová encenando como poderá ser os últimos dias antes do Armagedom.


Gogue de Magogue


Naquele dia surgirão ideias no seu coração e você planejará uma trama perversa. Você dirá: “Invadirei a terra de povoados desprotegidos. Irei contra os que vivem em segurança, sem perturbação; todos eles moram em povoados sem muralhas, trancas ou portões.” Seu objetivo será tomar muito despojo e espólio, será atacar os lugares devastados agora repovoados e um povo que foi reunido dentre as nações e está acumulando riquezas e bens, morando no meio da terra. [...] Você reuniu os seus exércitos para levar embora prata e ouro, para saquear riquezas e bens, para tomar um enorme despojo?”’ “Portanto, filho do homem, profetize o seguinte a Gogue: ‘Assim diz o Soberano Senhor Jeová: “Naquele dia, quando o meu povo Israel estiver morando em segurança, será que você não ficará sabendo disso? Você virá do seu lugar, das partes mais distantes do norte, acompanhado de muitos povos, todos eles montados em cavalos, um grande exército, uma numerosa força militar. Você virá contra o meu povo Israel como nuvens cobrindo a terra. Na parte final dos dias vou trazê-lo contra a minha terra, para que as nações me conheçam quando eu me santificar diante dos olhos delas por meio de você, ó Gogue.” (Ezequeil 38:10-16).

A Torre de Vigia já explicou que Gogue de Magogue era Satanás:

A figura, ou líder, central do ataque global contra o Reino messiânico e seus súditos, segundo Revelação, é Satanás, o Diabo. No registro bíblico, ele é a única pessoa de que se pode dizer que se ajusta adequadamente à descrição e ao papel atribuídos a ‘Gogue, de Magogue’, na profecia dada a Ezequiel (Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 1, página 242).

Mas em 2015 revisou esse conceito e agora afirma que Gogue de Magogue é uma coalizão de nações; essa no final dos dias se voltará contra as Testemunhas de Jeová, num ataque final, por considerá-las um alvo fácil, visto que, como diz a profecia, elas “moram em povoados sem muralhas, trancas ou portões”. Considerando que a interpretação esteja correta, as Testemunhas de Jeová consideram a possibilidade de que seus esconderijos em todo o mundo sejam descobertos e forças policiais, ou turbas descontroladas, dirijam-se contra eles para prendê-las ou matá-las. Esse ataque, pelo que parece, foi sugerido no vídeo do bunker, quando policiais invadem o esconderijo.

Essa foi a última vez que a Torre de Vigia atualizou o assunto Gogue de Magogue em sua literatura. Quanto a se nos congressos acrescentará algo a isso, esperemos para saber.


Armagedom

O ataque de Gogue de Magogue não será bem-sucedido. Ao contrário do que parece, as Testemunhas não estão indefesas. Para a Torre de Vigia, o ataque de Gogue será apenas o sinal para que Deus desencadeia o Armagedom.

Mas antes disso, pouco depois do ataque de Gogue, outra coisa precisa acontecer:

O que acontecerá depois que Gogue de Magogue começar o ataque contra o povo de Deus? O relato de Mateus e o de Marcos registram o mesmo acontecimento: “[O Filho do homem] enviará os anjos e ajuntará os seus escolhidos desde os quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu (A Sentinela de 15 de julho de 2017, página 18).

Estes “escolhidos” são os ungidos, que serão instantaneamente levados para o céu numa espécie de “arrebatamento” (exceto que serão em corpos espirituais).

A Torre de Vigia um dia considerou que existia a possibilidade de que ungidos permanecessem por algum tempo na terra depois do Armagedom, mas em 2013 descartou essa possibilidade (Veja A Sentinela de 15 de julho de 2013, página 8, na nota referente ao parágrafo 8). 

A revista de 2015 continua (o destaque é dos autores):

Referindo-se ao tempo em que todos os ungidos estiverem no céu, Revelação 17:14 diz o seguinte sobre os inimigos do povo de Deus: “Estes batalharão contra o Cordeiro, mas, porque ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis, o Cordeiro os vencerá. Também o farão com ele os chamados, e escolhidos, e fiéis.” Junto com seus 144 mil corregentes no céu, Jesus salvará o povo de Deus aqui na Terra.

O ataque de Gogue às Testemunhas resultará no começo do Armagedom, que resultará em Jesus Cristo, junto com os 144 mil ungidos, exterminar todo o restante na humanidade que até esse dia não tiver aceitado a mensagem das Testemunhas de Jeová.

Algo mais será dito nos congressos?   Veremos.


A grande reconstrução

Este e o próximo tópico resumem-se quase que apenas em especulações por parte da Torre de Vigia. Ela, em razão de não haver muito o que dizer sobre isso, restringe-se em publicar incontáveis imagens de paraíso, que reforça sensivelmente o conceito materialista de sua mensagem. Praticamente tudo o que se deseja hoje – como saúde, casa para morar, paisagem lindas e aprazíveis, alimentos saudáveis – pode-se assegurar com um único passo: tornar-se Testemunha de Jeová.






Tais imagens, no entanto, são muito irrealistas.

Tendo em vista as dezenas de bilhões de pessoas que serão ressuscitadas (A Torre de Vigia calcula em torna de 20 bilhões, mas os números podem ser muito maiores), as paisagens de paraíso ficariam suprimidas a recantos distantes, sendo que a maior parte das terras seriam ocupadas por residências e plantações, além de fábricas diversas. Praticamente se extinguiria as floretas e a fauna.



O teste final


Um aprovado na prova final ao saber que viverá para sempre

O capítulo 20 de Apocalipse conta sobre a época em que Satanás será solto para testar a humanidade. Será no final dos mil anos – época em que toda a humanidade terá sido reerguida à perfeição. A Torre de Vigia não revisa esse assunto há décadas, de modo que muito provavelmente os discursos de congressos apenas reprisarão os conceitos já conhecidos.

Quanto à severidade do teste final, a revista A Sentinela de 15 de agosto de 2006, página 31, trazia a seguinte Perguntas dos Leitores:

Depois da prova final no fim do Milênio, será possível que humanos venham a pecar e a morrer?

Parte da resposta cito abaixo:

Ainda poderão escolher, de livre e espontânea vontade, se continuarão, ou não, a servir a Jeová. Não se pode afirmar que nenhum humano jamais rejeitará a Deus, como no caso de Adão.
O que aconteceria com uma pessoa que escolhesse rebelar-se depois da prova final, quando a morte e o Hades não existirem mais? Naquele tempo, a morte adâmica não existirá mais. E o Hades, a sepultura comum da humanidade que tem a esperança de ressurreição, também não existirá mais. Mesmo assim, Jeová poderia aniquilar qualquer rebelde no lago de fogo, negando-lhe qualquer esperança de ressurreição. Essa morte seria semelhante à que sofreram Adão e Eva, não à morte que os humanos herdaram de Adão.
No entanto, não temos motivo para crer que tal coisa venha a acontecer. Aqueles que passarem pela prova final serão diferentes de Adão num sentido fundamental. Eles terão sido plenamente provados. Podemos confiar no caráter cabal da prova final porque Jeová sabe examinar as pessoas pelo que de fato são. Podemos estar certos de que a prova final eliminará qualquer pessoa que pudesse usar mal a sua liberdade de escolha. Portanto, embora seja possível que aqueles que passarem pela prova final se rebelem contra Deus e, assim, sejam destruídos, é muito improvável que isso aconteça.

Quando apresentei esse conceito da Torre de Vigia em um fórum de ex-tjs, alguém levantou o seguinte questionamento:

Se Jeová fará nessa época uma prova cabal, ao ponto de eliminar qualquer pessoa que um dia pudesse vir a usar mal a sua liberdade de escolha, então por que não fez o primeiro casal humano justamente assim, à prova de falhas? 

Acrescento que à prova de falhas não significa sem livre arbítrio, porque definitivamente não são mesma coisa. Um exemplo disso, até mesmo na concepção da Torre de Vigia, são os ungidos. Eles não perdem o livre arbítrio quando são levados para o céu, mas, quando lá estiverem, e unicamente por decreto divino, ganham a imortalidade, o que significa que passam a ser também à prova de falhas.

Relacionado a esse assunto, e tendo em vista as diferentes situações e destinos destas duas classes de pessoas, surge uma outra pergunta: por que apenas os ungidos, por escolha divina, ficam isento de um teste final e ainda ganham a imortalidade? Uma resposta quanto a porque ficam isentos de uma prova final talvez seja em razão de que já foram leais a Deus enquanto humanos, apesar de isso deixar sem explicação o fato de que Testemunhas que são leais agora e até servos de Deus do Antigo Testamento serão submetidos à tal prova. Sem resposta evidente é por que os ungidos ganham a imortalidade, mas os humanos na terra ficam apenas com a vida eterna, apesar de serem eles que foram submetidos a um teste final.

Muito provavelmente os congressos não trarão nenhuma dessas respostas, mas ficarei atento a quaisquer novidades. Surgindo-as, esta postagem será editada ou, se for necessário, um outro artigo será escrito.



11 comentários:

  1. Excelente matéria! Um monte de profecias falhas, incrivelmente fantasiosas e contrárias a toda lógica racional e Bíblica. E ainda querem adivinhar o que vai acontecer daqui a 1.000 anos no teste final. O corpo Governante está assim, perdido sem crédito e rodeado de desconfiança. São tempos ruins para a Dona Torre.

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    1. Culpa dos fundadores, porque estes que atualmente governam estão praticamente perdidos.

      Muito obrigado por comentar!

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    2. Olá sobre a questão dos mil anos.Seria novecentos anos? Digo pelo fato de ter passado mais de cem anos do incio do reino de cristo, desde 1914, ou tem outra explicação doutrinaria?

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    3. O Corpo Governante nada escreveu ainda sobre se a contagem de mil anos começou já em 1914. O conceito atual é de que a contagem de 1000 anos começará depois do Armagedom. Mas é estranho mesmo!

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  2. Mais um artigo excelente! Uma pena que a maioria das Testemunhas não vejam uma análise de suas crenças de forma tão racional assim. Elas nem se lembram das mudanças, muito menos enxergam as falta de sentido de suas doutrinas.Estão completamente cegas e engolem tudo com farinha o que os líderes lhes coloca goela a baixo. Parabéns pelo artigo! abraços...

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  3. Ah!mais uma coisa: Que legal a maneira de baixar o livro aqui. Vou ler de novo, rsrs

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  4. Sinto muito Falta desses congressos maravilhosos! Era muito bom estar com os irmãos! Hoje me sinto no vale dos ossos secos! Preciso voltar para a associação inteira de irmãos na fé, para a organização de Jeová!

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    1. Volte, mas não deixe de ler meu blog.

      Saiba que os irmãos de betel visitam bastante sites e blogs de ex-membros.

      Se eles visitam, por que você também não pode visitar?

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  5. Se eu não tivesse um exemplo de perto de alguém que mesmo depois de ter descoberto tudo sobre a organização, resolveu voltar,eu não acreditaria nisso, mas minha própria amiga, depois de eu ter mostrado tudo pra ela, vídeos, sites, blogs, fóruns e até os documentários em TV em Portugal, nos EUA, e até a comissão real Australiana, na investigação sobre pedofilia, vendo ela mesma o próprio Geofrey Jackson mentindo nos depoimentos e ela mesma ter se indignado com isso, resolveu voltar por causa do clubinho social e romper a nossa amizade, que numa hora de extrema necessidade fui a única a estender-lhe a mão, mesmo afastada a mais de dez anos, mas ainda acreditando na organização. Nenhum dos 130 irmãos da sua congregação se prontificou a ajuda-la. Morou na minha edícula por dois anos sem pagar nada, e quando eu tive que pedir pra ela sair, pois a família ia precisar do lugar, ela saiu contrariada,mesmo eu dizendo que a ajudaria no que ela precisasse.Agora ela me disse que se eu meu marido não quisesse mais falar com ela, que ela ficaria muito triste mas entenderia...tudo pra não dizer na cara, que quem não iria mais falar com a gente seria ela. Dito e feito! Agora está lá e sabe Deus se não está me chamando de apóstata tbm.

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    1. Por esses exemplos, podemos saber que a religião das Testemunhas não melhora significativamente as pessoas.
      Quando eu era TJ, ficava a tentar identificar em que aspecto as TJs eram melhores que os "mundanos", mas nunca vi melhoras significativas. Muito diferente da propaganda que se ver na Sentinela, a maioria TJs praticamente vivem uma farsa, tentando ser o que não são. Enquanto isso, no mundo as pessoas são o que são e você até corre menos riscos de se decepcionar com elas, pois quase todos estampam na cara o que são.

      Em critério de hipocrisia, a religião das Testemunhas se especializou em fabricar os melhores hipócritas.

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