quarta-feira, 13 de julho de 2016

2016: O pior congresso de todos os tempos (sexta)

A parte 5 desta série 
mostra alguns dos  
materiais mais 
perturbadores até esta data
(Traduzido de JWsurvey)


Não me importo em admitir isso. Quando decidi fazer uma série de vídeos para complementar os artigos do JWsurvey sobre “O pior congresso de todos os tempos” (referente ao  congresso de 2016 “Permaneça Leal a Jeová”),  eu fiz um prato maior que meu estômago.

Eu honestamente não sei se teria me comprometido com ele se soubesse de antemão que haveria muito trabalho envolvido.



A ideia de fazer uma série de vídeos de contestação veio depois que um Superintendente de Circuito vazou para mim e outros ativistas um lote de material destinado a ser utilizado no congresso, incluindo 46 vídeos. 

Por estar tão chocado com a intensa manipulação digital, achei que os vídeos poderiam ser agrupados em seis partes e assim dissecados de forma relativamente fácil.

Mas em seguida, no mês passado, tivemos um vazamento extra – e isso mudou tudo. Nós agora tínhamos três dias de imagens filmadas em um dos congressos que mostram, não apenas os vídeos de dramatização, mas como o Corpo Governante quer que eles sejam apresentados.

Isto virou tudo de cabeça para baixo. A série de seis partes tornou-se uma série de nove partes em resultado de termos mexido para acomodar o material extra.

Então, ao invés de ser (como foi planejado) um resumo simples de material não abrangido nas 4 partes anteriores, a parte 5 agora é indiscutivelmente um dos vídeos mais chocantes desta série até agora. 

Por quê? Porque agora aborda também os discursos do programa proferidos na sexta-feira. E, bem, não há nenhuma maneira fácil de dizer isso: o material de sexta sozinho prova que a Torre de Vigia tornou-se um culto de fato, e desavergonhadamente espera ser capaz de controlar as mentes das Testemunhas de Jeová.

Lealdade em pensamento

Indiscutivelmente, nada grita “culto” e “controle da mente” como um orador carismático enfaticamente incitando o público a ter um “controle estreito” sobre o que entra em suas mentes.  Antes, temos Jose Cintron Jnr, um betelita de cabelos negros com um olhar hipnótico, um sorriso assustador e uma propensão para o melodrama, que é exatamente o que a Torre de Vigia nos dar. 

Editado em 26 de julho de 2016.
Em razão de os discursos em português terem sido removidos do youtube, esta postagem foi editada com o objetivo de disponibilizar os videos e dramas em espanhol. 

Discurso em espanhol. 


Drama em espanhol



Seu esboço é intitulado “Continue leal em pensamento”; apesar de ele ter sido elaborado pela Comissão de Ensino do Corpo Governante (como é o caso de quase todos os que discursam em congressos), José se joga nele com entusiasmo como se ele tivesse escrito todas as palavras por si mesmo.

Aqui está um homem que, sem nenhum escrúpulo, pede a milhares para ‘trazer seus pensamentos ao cativeiro’ e preencher seus cérebros apenas com o fluxo interminável de propaganda da Torre de vigia.

O momento mais constrangedor acontece quando Cintron Jnr, que também faz uma aparição como Senaqueribe no drama de Ezequias, desvia um pouco de seu roteiro para questionar a seus ouvintes se eles iriam hesitar por um momento em discar 911 se descobrissem um intruso em suas casas no meio da noite.


Jose Cintron Jnr parece se deleitar dizendo  à assistência para trazer seus pensamentos
 “ao cativeiro” da Torre de Viga.

A ironia deve ser gritante para quem está consciente de que chamar a polícia é precisamente o que a Testemunha não é solicitada a fazer se tiver conhecimento de um crime muito pior do que um arrombamento – o abuso sexual de uma criança por um colega Testemunha.

Não faça perguntas

O discurso de José foi o primeiro de um simpósio de três partes enfatizando a necessidade de lealdade à Torre de Vigia em pensamento, palavra e ação. Escolhido para fazer a segunda parte, sendo leal em “palavra”, foi a vez do robótico Cameron Haynes.


Discurso em espanhol


Drama em espanhol



O tema principal do discurso de Haynes, como evidenciado pelo vídeo dramatizado, foi lembrar às Testemunhas que não devem falar contra os anciãos. Aparentemente, não importa quão mal comportado sejam os anciãos, se você tem uma queixa contra eles, a última coisa que você deve fazer é discutir isso com outros.  Afinal de contas, os anciãos respondem apenas à Torre de Vigia, e não àqueles que são nomeados para servir.

Cameron Haynes salienta a necessidade de as Testemunhas apoiarem os ensinamentos da Torre de Vigia, mesmo quando elas não entenderem. 


Uma aplicação mais intrigante da necessidade de lealdade em “palavra” surgiu nos comentários aparentemente dirigidos a quem questiona “novas luzes”, ou ajustes organizacionais, tais como a recente extinção da muita amada Escola do Ministério Teocrático (que foi substituída por uma leitura da Bíblia e pela sessão de treino para o serviço de porta-em-porta).

Haynes admite que as referidas alterações podem testar a lealdade de Testemunhas, mas lembra-lhes que devem cumpri-las com “entusiasmo” mesmo assim.  Ele então cita o exemplo do apóstolo Pedro, que declarou sua lealdade a Cristo em João 6, quando muitos discípulos o abandonaram em razão de sentimentos feridos.  Isto, aparentemente, estabelece que as Testemunhas devem apoiar a doutrina da Torre de Vigia, mesmo quando elas não entenderem isso.

Isso bate com o que já vimos sobre o ensinamento da geração sobreposta, que é baseada em uma explicação sem nenhum sentido lógico. O Corpo Governante quer que seus seguidores saibam que eles não devem esperar qualquer explicação coerente dos ensinamentos. O papel das fileiras, ou Testemunhas comuns, é seguir – não questionar, ou entender.

Melhor do que a vida

O discurso final do programa de sexta-feira tem o título revelador: “O teu temor leal é melhor que a vida”. O orador designado para fazer esta parte final, Reginald McCoy, aproveita para lembrar à assistência que ser Testemunha de Jeová é a melhor coisa a fazer em nossa existência.

Discurso em espanhol:




“A vida sem o amor leal de Jeová seria sem sentido e sem propósito, que simplesmente deixa tudo sem objetivo”, diz ele. “O amor leal de Jeová não muda. É por isso que é de fato melhor que a vida. Ter o amor leal de Jeová vale mais do que nossa própria existência”.

Tenha em mente: pessoas do público são convidadas para os congressos das Testemunhas (pelo menos em teoria); para estes, o que escutam não faz nenhum sentido, a menos que se comprometam com a organização. 

Reginald McCoy aconselha a assistência a ver suas vidas como algo secundário à  sua relação com a Torre de Vigia. 

É importante ressaltar que, provavelmente, tal retórica claramente ridícula vem, não da mente do orador, mas diretamente do Corpo Governante – como mostra a seguinte imagem da parte final do esboço do orador.



Tradução do esboço

O QUE APRENDEMOS SOBRE O AMOR LEAL DE JEOVÁ (2 min.)
A vida sem o amor leal de Jeová não seria uma vida.
       O amor leal de Deus vale mais que nossa própria existência (w 1/6/06 11)
Jeová nos assegura que ele vai nos sustentar nos momentos de provação
       Ao permanecermos leais a ele, podemos desfrutar de seu amor leal para sempre.

Assim, mesmo que a assistência conclua que McCoy estava fazendo um apelo sincero com base em seus próprios pensamentos e experiências, ele estava, na verdade, repetindo as ideias de seus superiores – a Torre de Vigia.

Sinta-se abandonada pelos apóstatas

A tarde de sexta-feira do congresso oferece um duro golpe de cultismo com dois simpósios. O primeiro apresenta a série de vídeos de 7 partes sobre a vida de Sergei, enquanto o segundo,  usando uma trilogia de vídeos com o fictício caso de Sonja, enfatiza a necessidade de evitar membros da família desassociados.

Em um dos vídeos da série de Sergei, um amigo de Sergei é retirado de cena, tal qual um fantasma, quando mostra-se ausente em uma reunião congregacional. Fiquei curioso para saber como Brandon Harkey, novamente usando as orientações fornecidas pelo Corpo, iria apresentar este material.

Discuso em espanhol:





Brandon Harkey explica porque Testemunhas devem sentir-se afetadas quando alguém deixa a religião. 

Trata-se de uma estratégia muito inteligente da STV em estigmatizar ainda mais aqueles que, como eu, decidem abandonar a organização por motivos de consciência.

Não apenas se requer das Testemunhas que tomem apóstatas como eu como “doentes mentais” e como um perigo. Elas também devem se sentir pessoalmente ofendidas e insultadas ao ouvirem que foram “abandonadas” por seus antigos irmãos.

Harkley lê Mateus 10:35,36 onde Jesus Cristo adverte que os inimigos do homem serão os da sua própria casa, e aplica o verso dizendo: “Sim, Jesus Cristo reconheceu aqui que a própria família de uma pessoa, seus próprios amigos, poderiam muito bem abandoná-la em razão de sua escolha em servir a Jeová”.

Embora este versículo esteja, na verdade, descrevendo um cenário no qual uma família judia ou pagã expulsa um dos seus próprios em razão de este se tornar cristão, isso nada tem a ver com uma Testemunha acordar da doutrinação da Torre de Vigia e decidir sair.

Em tal caso, são os familiares, sob as ordens da Torre de Vigia, que evitam a tomada de decisão consciente. Longe de vê-los como “inimigos”, o apóstata geralmente continua a amar a sua família apesar da diferença de crenças, mas lhe é negado um relacionamento com eles.

Mas em razão de a Torre de Vigia reconhecer o valor manipulador de ajudar a Testemunha a se sentir como vítima, os versículos de Mateus 10 lhes são trazidos à mente. O apóstata é enquadrado como agressor – aquele que tem atacado sua família com o objetivo de levá-la a rejeitar a fé.

Surpreendentemente, o Corpo Governante espera que amigos da família mesmo não TJ, talvez colegas de trabalho ou cônjuges descrentes, abstenham-se de rejeitar ou questionar os ensinos da Torre de Vigia.

“Talvez você já tenha sentido o abandono que resulta quando um familiar descrente ou um amigo nos exclui, nos critica, ou nos ridiculariza porque nós escolhemos servir a Jeová”, diz Harkey, sem explicar por que recai sobre aqueles que não são Testemunhas justificar as crenças daqueles que são.

Mesmo Testemunhas atuais que são frias em relação ao cultismo à Torre de Vigia, os recém-apelidados “Kevinly Classe” (uma homenagem a um personagem dos vídeos do bunker [porão]) são tidos como causa de angústia para Testemunhas devotas.

“Mesmo dentro da congregação podemos às vezes sentir uma sensação de abandono, talvez por um amigo que parece se afastar em razão de estarmos lutando para colocar os interesses do Reino em primeiro lugar e fazer mais para Jeová”, lamenta Harkey.

“Você se vira para seus amigos para ajudar, para dar apoio, como parte de seus esforços em fazer mais, porque você tem como meta colocar o Reino em primeiro lugar, mas talvez você note que alguns começam a se retirar. Por quê? Bem, seus objetivos, o que é mais importante para você, agora pode ser um pouco diferente dos objetivos deles.”

Testemunhas são assim convidadas a se sentirem ofendidas e atacadas se aqueles em torno delas não se derramam em “apoio” nos seus esforços de dar tudo para a organização. Tal retórica coerciva é fácil de ver uma vez que você está de fora, mas para as Testemunhas, que estão suficientemente desesperadas para se sentir oprimidas e perseguidas, vai funcionar muito bem – deixando inúmeras relações ainda, mais irrecuperáveis.

Seja um mártir pela Torre de Vigia.

Os leitores deste site já conhecem o final perturbador para a série de vídeos de Sergei, em que o protagonista principal, em razão de suas crenças, aparenta vir a óbito por recusar transfusão de sangue.  Cabe ao betelita Jared Gossman repassar a mensagem da Torre de Vigia de que Sergei fez a escolha certa ao colocar os interesses dela à frente do seu instinto de sobrevivência.

Discurso em espanhol: 




Jared Gossman deixa claro que as Testemunhas devem estar preparadas para sacrificar suas vidas por causa de suas crenças. 



Gossman começa sua palestra seguindo o chamado esquema para estigmatizar como covardes, insensatos e egoístas, aqueles que “seriam desleais a [Jeová] em sua tentativa de preservar a vida”



Tradução do esboço

Quando enfrentando a morte
COMO NOSSA LEALDADE A JEOVÁ É DESAFIADA QUANDO ENFRENTAMOS A MORTE?  (2 min)
Muitos hoje têm medo da morte (g 12/07 3)
      Eles temem que sejam rapidamente esquecidos
      Eles temem o que pode vir depois da morte
      Eles temem que seus entes queridos sofram
      Alguns temem que falar da morte acabe por atraí-la
A verdade nos permite abordar a morte com confiança em Jeová.
Muitas pessoas preservariam suas próprias vidas a qualquer custo.
     O povo de Jeová ver a vida como uma dádiva de Deus e não são desleais a ele em uma tentativa de preservar a vida (Salmo 36:9)
A morte não pode nos separar do amor que Deus tem por nós (Leia Romanos 8: 38,39).
      No entanto, as escolhas que fizermos quando confrontados com a morte pode nos          distanciar de Jeová quando mais precisamos dele. 

Depois de lembrar às Testemunhas da importância de manter seus documentos médicos assinados e atualizados (garantindo que não tenham um segundo pensamento quando chegar a hora), Gossman exorta-as a fazer o sacrifício final, quando forem chamados a fazê-lo “Quão triste seria [se] no esforço para alongar a nossa vida apenas temporariamente, nós sacrificássemos nossa lealdade a Jeová e perdêssemos a vida por toda a eternidade!”.
Qualquer Testemunha que possa se contorcer com a ideia de se martirizar para a Torre de Vigia é instada a ter pensamentos felizes: “Mesmo que tenhamos perdido a nossa vida neste sistema, podemos pensar sobre a esperança de ressurreição quando enfrentamos circunstâncias difíceis. Podemos pensar em nós mesmos experimentando as bênçãos que Jeová tem guardado – talvez bênçãos que anunciamos a outros por muitos anos; podemos ver-nos lá desfrutando delas como uma recompensa por nossa lealdade”.
Uma vez que é impossível para Testemunhas mortas, por recusarem sangue, voltar e confirmar que foram ressuscitadas em um paraíso na Terra, você terá que aceitar a palavra da Torre de Vigia como verdade sobre isso.
Ostracise seus familiares
Já não é um segredo que o segundo simpósio da tarde de sexta contém algumas das mais potentes propagandas pro-ostracismo que já vimos em programa de congresso TJ.  Mas parabéns para o ancião Josh Sable, de Nova Jersey, por encontrar uma maneira de carimbar a sua própria criatividade na mensagem de ódio da Torre de Vigia.
Discurso em espanhol: 



Josh Sable argumenta que o ciclo de crescimento do lilás estabelece um precedente para família  TJ ostracisar entes queridos.


Depois da exibição do vídeo em que Sonja é desassociada e sua mãe se recusa a atender um telefonema dela, Sable, visando atingir o ponto, surge com uma analogia bizarra com horticultura.

“Você sabia que é uma onda acentuada de frio no inverno que desencadeia o nascimento do lilás, fazendo-o florescer com a primavera? Essas temperaturas frias mexem profundamente com essa planta, aumentando sua flagrância doce e realçando a beleza desse conjunto de flores”.

“Quando olhamos em volta para a organização de Jeová, alguns dos cristãos mais doces e belos são aqueles que se permitiram este processo interno, ou este frio da disciplina, para fazer mudanças significativas em seu pensamento e conduta. O resultado é nada menos que espetacular!”.

Aparentemente, quando as Testemunhas de Jeová demonstram amar uns aos outros, isso é prova de que são verdadeiros seguidores de Cristo, uma vez que cumprem suas palavras em João 13: 35. Mas quando elas tratam a sua própria carne e sangue com frieza e crueldade em obediência a seus líderes religiosos – não se preocupe! Isso pode ser justificado pelo ciclo vegetativo de uma planta qualquer.

Delate seus irmãos

Não seria um cultismo, ou festival da ideologia orwelliana, sem pelo menos um incitamento a que os fiéis delatem uns aos outros ao Grande Irmão, pois ninguém deve deixar de mostrar lealdade à hierarquia. Coube ao betelita Timothy Blazek emitir o lembrete necessário.

Discurso em espanhol:





Timothy Blazek lembra às Testemunhas que devem delatar seus irmãos sempre que pecados forem descobertos.
"Quando se trata de nossos amigos, isso pode ser uma área que testa a nossa lealdade - especialmente quando um amigo se envolve em delito que deve ser trazido à atenção dos anciãos", diz Blazek.

“Nunca devemos permitir que lealdade equivocada a um amigo venha a ofuscar nossa lealdade a Jeová.  Como devem se lembrar, vimos no início que a definição da palavra grega para lealdade carrega a ideia de santidade e justiça; então, qual seria a coisa amorosa e leal a fazer se um amigo vier a estar em tal circunstância? Aproxime-se do amigo, inste-o a falar com os pais e os anciãos para que possam ajudá-lo. E em seguida diga-lhe que se ele não o fizer dentro de um prazo razoável, você irá fazê-lo.”

Ao contrário de Sable, com sua poética ilustração sobre lilás, Blazek está aqui lendo diretamente do manuscrito fornecido pelo Corpo Governante, com apenas alguns desvios.


Tradução do esboço

Nossa lealdade à família jamais deve ser maior que nossa lealdade a Jeová; os filhos de      Corá não tentaram justificar a deslealdade de seu pai seguindo a ele (Num. 16:32, 33;      26:10,11).
Nossa lealdade a Jeová pode ser testada quando um amigo está envolvido em coisas      erradas e que precisa ser trazida a atenção dos anciãos.
     Nunca permita que uma lealdade mal orientada para com um amigo se sobreponha a             sua lealdade a Jeová.
    Chegue-se a seu amigo; diga-lhe que conte o assunto aos seus pais ou aos anciãos;              diga-lhe que se ele não o fizer dentro de um período razoável de tempo, você o fará            (Pr. 27:5; W15/6/1991 21).

Assim, imediatamente após o simpósio sobre ostracismo, são emitidas instruções que irão aumentar o número daqueles que são evitados.

Em nenhum momento é dito que qualquer que seja o delito cometido, seja uma atividade sexual ou fumar um cigarro, a punição quase nunca vai corresponder ao crime.

Só no caso de um crime como abuso sexual infantil poderia ser um argumento válido o uso de alienação familiar (juntamente com a acusação sendo levada às autoridades, obviamente) – mas, ironicamente, os anciãos precisam de duas testemunhas para levar qualquer acusação a sério.

Por outro lado, quando se trata de um adolescente ter qualquer envolvimento sexual com alguém da casa vizinha, qualquer denúncia é suficiente para colocar as coisas em movimento.  

Calculando o custo

Ouvi dizer que não há nada de novo sobre a maior parte do material que está sendo bombardeado para as mentes das Testemunhas neste congresso. Na verdade, embora eu nunca tenha prestado muita atenção nos congressos quando eu era obrigado a isso, lembro vagamente de discursos frequentes com teor semelhante aos alistados acima.

A razão pela qual eu acredito que este é o “pior congresso de todos os tempos” é porque, pela primeira vez, manuscritos cheios de ódio por parte da liderança não são suficientes. Como sua capacidade para a produção de vídeos têm aumentado nos últimos anos, eles têm aproveitado a oportunidade para aumentar a propaganda já potente em seus congressos com elegantes vídeos dramatizados, com o fim de se certificar de que sua mensagem obtenha obediência absoluta.

Eu gostaria de pensar que toda essa manipulação passaria por alto das cabeças da maioria da assistência (embora em muitos casos isso certamente vai acontecer), mas seria ingênuo pensar assim. As Testemunhas de Jeová, em sua maioria, levam a sua fé muito a sério, e provavelmente os discursos proferidos neste congresso terão efeitos na vida real.

Pessoas que não eram evitadas até agora começarão a ser, e pessoas que até agora estavam em dúvida sobre transfusão de sangue irão decidir se matar em recusa de sangue, se a oportunidade surgir – tudo isso como resultado direto deste congresso. Não se enganem sobre isso.

Os vídeos horríveis que promovem o ostracismo, o ódio a apóstatas e martírio, combinado com a enxurrada de incentivo explícito à lealdade inquestionável, mesmo à custa da própria vida, me convence de que nunca vimos um congresso da Torre de Vigia pior do que esse. Eu só gostaria de poder dizer com confiança que não vai ser o pior de todos os tempos. 



10 comentários:

  1. Bom dia querido amigo Lourisvaldo.
    Um belo trabalho informativo sobre essa religião. Ajuda a muitos a não entrar e se decepcionar ou pior ainda passar pelo o que você passou, perdendo tempo grande da sua vida aprisionado. Um lindo e abençoado final de semana. Enorme abraço.

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  2. Oi Lourisvaldo,
    Boa tarde!

    Eu sou desassociado há 5 anos. Comecei este ano a pesquisar sobre a possibilidade de tudo que aprendi com as TJ's não ser real.
    Mas algo que percebo muito (e queria sua opinião sobre) é a respeito de todas as falas do povo sobre achar que o mundo estaria melhor sem a religião, toda a revolta que há contra a existência da bancada evangélica em nossa política e o quanto as pessoas não querem que isso continue já que o Estado é Laico: você não acha que isso seria um sinal? (ps. eu espero que não) Você tem um pensamento lógico perante isso?

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    1. Oi! rsrsrs

      Muito obrigado por sua visita a este espaço, meu querido!. Que bom que se permitiu examinar a religião TJ. Lembre-se de 1 João 4:1. Naquela época era incentivado que o cristão examinasse tudo o que lhe chegasse às mãos, inclusive as cartas que se diziam inspiradas.

      Sobre sua pergunta, o que vou te dizer é meramente a minha opinião, e adianto que não possuo nenhuma formação que me permita fornecer uma resposta taxativa sobre esse assunto.

      Nos tempos bíblicos, a nação de Israel, devidamente regulamentada pela lei de Moisés, foi formada mediante a harmonização do poder político (na pessoa do rei) e o poder religioso (na figura do sacerdócio). E isso funcionou muito bem na medida em que o povo obedecia a lei.

      Hoje, em nossa época, parece não haver base bíblica para uma participação ativa de cristãos na política. Mas também não vejo base para a eximição absoluta no estilo determinado pela Torre de Vigia.

      Partindo para um ponto mas aberto, que é exatamente a sua pergunta, eu procuro ver os casos em que se procurou formar um estado laico absoluta e qual foi o resultado. Esses exemplos são Rússia comunista, Coreia do Norte Cuba. Com exceção de Cuba, os demais casos foi um fracasso total. Por outro lado, a sociedade que temos hoje, de modo geral, mesmo nos casos em que o Estado é laico, a religião tem contribuído bastante para um pensamento equilibrado sobre todos assuntos que envolve as relações humanas.

      Quem argumenta a favor de que não haja bancada evangélica no parlamento brasileiro, sabe exatamente o que está querendo, que é fazer com que suas ideias (ateias) prevaleça sobre as demais, e o resultado poder-se-ia esperar para breve: uma legislação que refletiria cada vez menos os anseios e costumes de uma nação essencialmente cristã.

      É isso que penso, "anônimo". Sabemos que o Estado é laico, mas o povo brasileiro não é. De modo que é impossível (e desarrazoado)uma laicidade pura, tal como querem alguns.

      Grande abraço, meu querido!

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  3. Esta religião assenta em muitos vídeos... com situações tipo... para moldar consciências...
    Não me parece uma saudável abordagem... existe autenticidade atrás de uma câmara?... Para mim... tal como nos filmes do cinema e tv... apenas cenários e figurantes...
    Mais um post, super interessante, onde o suporte infirmativo, é excepcional!...
    Abraço! Continuação de uma boa semana!
    Ana

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  4. Lourisvaldo Santana, sempre nos brindando com seus magníficos comentários. Você, que muito acreditou na seita, enquanto adepto, através de pesquisas sobre todo o histórico da Torre, e depois de muito sofrer nas mãos dos "inquisidores de plantão", livrou-se dos porões que eles tentam nos impor. Não tenho nenhuma dúvida que aqueles que ainda estão ali dentro, se fizerem o mesmo que você fez (e que eu estou fazendo há anos), logo verão que foram engodados com promessas vãs, acreditando que o que ontem era verdade absoluta e que hoje já tem um outro entendimento (novas luzes), produzidas por uma cúpula preocupada somente com o seu status quo. Suas colocações servem de alerta para quem busca em alguma religião, a solução dos males da humanidade.
    Estou finalizando a leitura do seu livro. E muito tenho tirado proveito, pois está plenamente de acordo com minhas convicções.
    Abraço.

    Mocorongo

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  5. Bom trabalho ! Bem elaborado .

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  6. Muito bom .esse ano não quis ir estou inativa estou sendo tratada como se tivesse com lepra pra cair no bom grado deles tenho que provar que não estou doente espiritiualmente

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    1. É sempre assim. Isso é algo que a gente tem que aguentar por muitos anos.Depois de um tempo a gente arruma novos amigos e aí fica mais fácil aguentar a barra.

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  7. A Bíblia como um todo é uma lavagem cerebral, desde de que Noé foi convidado a construir a sua nave flutuante de salvação, que Abraão foi convidado para constituir uma etnia separa. Moisés a restabelecer uma nação separada, o retorno de Judeus à sua terra de origem. E até o estabelecimento de Jesus em busca do pacto para um governo celestial. Demonstra claramente um processo separatista, e qu não conforma com opositores deste propósito. Temos nos que somos TJ leais sim que adotamos este modo de vida, recusar pacificamente o conluio com dissidente, eu pessoalmente combato os dissidentes que não estão mais no nosso meio. Coloco minha câmera em foco vigiando suas ações, que por sua vez devido sua criticas carregam aqueles que estão em nosso meio e que são falsos também e não dos nossos como disse Paulo.

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