quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Paraíso na terra para sempre?

(Traduzido de JWFacts) As Testemunhas de Jeová acreditam que elas nunca morrerão; acreditam que a Bíblia promete que elas viverão para sempre na terra.

Jesus indicou que um “dia” similar está para ocorrer em nosso tempo. Aqueles que prestam atenção ao conhecimento associado com esse evento terão a perspectiva de não apenas sobreviver, mas também de viver para sempre. Além disso, os mortos que estão na memória de Deus serão trazidos de volta à vida com a perspectiva de nunca mais morrerem [...] Todas as evidências mostram que esse “dia” está muito perto, e isso significa que você talvez ‘jamais morra’. — João 11:25-27. (A Sentinela de 15 de abril de 2005, página 5)

Mas, então, por que podemos ter tanta certeza de que poderá viver para sempre num paraíso na terra? Por que podemos crer que a vida eterna não é apenas um sonho? (Poderá Viver para sempre no Paraíso na Terra, página 7)

A ideia de nunca morrer é o que leva muitos a se tornarem Testemunhas de Jeová e é a principal mensagem de pregação. Embora a maioria das religiões acredite em vida eterna, elas geralmente ensinam que a humanidade destina-se a morrer e ir para o céu.

Este artigo aborda os seguintes assuntos:

  • ·         A doutrina do Paraíso se refere ao céu ou à  terra?
  • ·         Onde é a ressurreição?
  • ·         A Bíblia indica que este planeta permanecerá para sempre?
  • ·         Realidade lógica
  • ·         Realidade científica

A Bíblia declara que a terra permanecerá para sempre e que ela será destruída. Esta seção explica esta aparente contradição e mostra que a Bíblia indica que este planeta não durará para sempre e que promete uma ressurreição celestial.

Paraíso

“Paraíso na terra” é uma frase-chave da literatura da Torre de Vigia, aparecendo mais de 1000 vezes no CD Wachtower Library. No entanto, o termo nunca aparece na Bíblia. Nem a ressurreição na terra é claramente descrita.


A Sentinela de 15 de abril de 1975, página 240, em inglês. 


A palavra "paraíso" é usada apenas quatro vezes na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (Cântico de Salomão 4:13; Lucas 23:39-43; 2 Coríntios 12:1-7; Apocalipse 2:5-7). Cada passagem indica um local referente ao céu.

Quem tem ouvidos ouça o que o espírito diz às congregações Àquele que vencer, concederei comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus (Apocalipse 2:7).

A Torre de Vigia explica que a declaração de Apocalipse se refere ao céu:

Revelação (Apocalipse) 2:7 menciona uma “árvore da vida” no “paraíso de Deus” e que comer dela seria privilégio daquele ‘que vencesse’. Visto que outras promessas feitas nesta parte de Revelação a tais vencedores relacionam-se claramente com ganharem uma herança celestial (Re 2:26-28; 3:12, 21), parece evidente que o “paraíso de Deus”, neste caso, é celestial.  (Estudos Perspicaz das Escrituras, volume 3, página 175).

2 Coríntios é claramente uma referência ao paraíso celestial.

Conheço um homem em união com Cristo que, há 14 anos — quer no corpo, quer fora do corpo, não sei; Deus sabe —, foi arrebatado ao terceiro céu. Sim, conheço esse homem que — quer no corpo, quer separado do corpo, não sei; Deus sabe — foi arrebatado para o paraíso e ouviu palavras que não podem ser ditas e que não se permite ao homem falar.

A Torre de Vigia tradicionalmente interpreta essas palavras como sendo referente ao paraíso espiritual.

O que o apóstolo observou na visão provavelmente foi o paraíso espiritual que a congregação cristã desfruta no “tempo do fim” (A Sentinela de 15 de julho de 2008, página 28).

Ele foi transferido ou arrebatado milagrosamente até o “terceiro céu”, recebendo uma visão do futuro paraíso espiritual da congregação cristã (A Sentinela de 1º de dezembro de 1970, página 711).  

A Torre de Vigia, desde então, elaborou uma complicada explicação de que o “terceiro céu” tem “um físico, um espiritual e um celestial cumprimento”.


A visão de Paulo está registrada em 2 Coríntios 12:1-4. (Leia.) O que Paulo observou na visão sobrenatural foi chamado de revelação. Tratava-se de um acontecimento futuro, não de algo que já existia na época dele. Quando Paulo “foi arrebatado . . . até o terceiro céu”, que “paraíso” ele viu? Esse paraíso teria um cumprimento físico, um espiritual e um celestial, e todos existirão juntos no futuro. Pode se referir: (1) ao Paraíso físico, terrestre, que ainda virá (Luc. 23:43); (2) ao paraíso espiritual que existirá de modo pleno no novo mundo; e (3) à condição abençoada que haverá no céu no “paraíso de Deus”. — Rev. 2:7. (A Sentinela de 15 de julho de 2015, página 8,9).

Há apenas uma palavra “paraíso” na Bíblia que a Torre de Vigia interpreta como se referindo à terra.

Então ele disse: “Jesus, lembre-se de mim quando entrar no seu Reino.” E ele lhe disse: “Em verdade, eu lhe digo hoje: Você estará comigo no Paraíso.” (Lucas 23:42,43). 

O contexto indica que se trata do paraíso celestial, como geralmente é a interpretação. Jesus Cristo reinará no céu, não na terra, e assim, estar com ele no paraíso, naturalmente só pode ser no céu.

Ao explicar que Lucas 23 se refere a um paraíso na terra, a Torre de Vigia fornece um raciocínio inaceitável.

Para tais, que tinham a esperança de ser recebidos no céu, Cristo prometeu: “Àquele que vencer concederei comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.” (Revelação 2:7; João 16:33; 1 João 5:4) Este figurativo “paraíso de Deus” fica nos céus invisíveis. Entretanto, será correto presumir que o céu seja o único paraíso apresentado a todos os seguidores de Jesus? Visto que o malfeitor compassivo não venceu o mundo por seguir um proceder de fidelidade a Deus, mas estava sendo executado justamente devido aos seus atos iníquos, que paraíso prometeu-lhe Cristo? [...] Deveras, a Bíblia realmente promete um Paraíso terrestre! (A Sentinela de 15 de abril de 1984,páginas 4-7).

Não se prover nenhuma evidência de que Lucas 23 se refere à terra; de fato, o parágrafo mostra que, no Novo Testamento, outras referências indicam que o paraíso é celestial. A Torre de Vigia simplesmente apresentou o raciocínio que apoia a sua doutrina. Como o paraíso de Deus está no céu, e Jesus afirma especificamente que o homem na cruz estará ‘com ele’, este seria no céu.

Judeus e muçulmanos geralmente acreditam que o paraíso é celestial, e segue-se que os primitivos cristãos entendiam que as referências bíblicas ao paraíso se referiam ao céu. Paraíso é, por vezes, descrito como a morada dos justos, a partir de quando morrem, até o presente século.

E aqueles homens me tomaram, então, e me conduziram ao terceiro céu, e lá me puseram: e olhei para baixo e vi os produtos daquele lugar, que jamais foram conhecidos. E vi as mais doces árvores floridas e olhei seus frutos e os alimentos que produziam, e todos exalavam as mais doces fragrâncias. E no meio daquelas árvores, a da vida, naquele lugar onde Deus descansa quando vai para o paraíso; e essa árvore é de uma qualidade e fragrância inefáveis, e mais adornada do que qualquer coisa que existe; e de todos os lados é como o ouro e o cinabre e o fogo, e ela tudo cobre e há proveito de todos os frutos. Sua raiz está no jardim no fim da terra. E o paraíso está entre corruptibilidade e a incorruptibilidade. E de suas fontes brotam mel e leite, e de seus jorros saem óleo e vinho, e eles se separam em quatro partes e vão dar no Paraíso Do Éden, entre a corruptibilidade e a incorruptibilidade (2 Enoque 8:1-6).

E Abraão caiu na indiferença da Morte, e a Morte disse a Abraão, venha tome, minha mão, para que a força volte a ti. Então a Morte enganou Abraão, e he tomou sua mão, e imediatamente sua alma se prendeu à ela. E imediatamente o arcanjo Miguel veio com uma multidão de anjo se tomaram sua preciosa alma e a revestiram com linho, e embalsamaram o corpo do justo Abraão óleos e perfumes divinos até o terceiro dia após sua morte, e o enterraram no lugar da promessa junto o carvalho de Mamre, mas os anjos receberam sua preciosa alma, e subiu ao céu, cantando o hino do "três vezes santo" ao Senhor Deus de tudo, e eles o colocaram para adorar ao Deus e Pai. E depois de grane louvor e glória foi dado ao Senhor, e Abraão abaixou-se para adorar, e surgiu a imaculada voz do Deus e Pai dizendo assim, levem meu amigo Abraão para o Paraíso, onde estão o tabernáculos de meus justos, e as moradas dos meus santos Isaac  e Jacó, onde não há preocupações, nem angústia, nem suspiros, mas paz e regozijo e vida sem fim (Testamento de Abraão, capítulo 30).

Elijah De Vidas em um texto medieval intitulado O Início da Sabedoria declara:

E Se ele merece ser recompensado ao nível de espírito, ele desfrutará do Paraíso; e se ele merece ser recompensado ao nível de super-alma, ele terá o privilégio de ascender ao reino superior do Paraiso.

Ressurreição celestial

As Testemunhas de Jeová ensinam que todos os que morreram antes de Jesus Cristo serão ressuscitados na terra em algum tempo futuro. Apenas 144 mil seguidores de Jesus irão para o céu, onde servirão como reis com Jesus.

[Jesus] falou sobre a ressurreição para a vida na terra, tal como Abraão, Isaque e Jacó terão (A Sentinela de 1º de dezembro de 1976, página 733).

O número 144.000 deve ser tomado literalmente. Refere-se aos que governarão com Cristo no céu sobre uma Terra paradísica, que se encherá com um número grande e não especificado de pessoas felizes que adoram a Jeová Deus (A Sentinela de 1º de setembro de 2004, página 31).

Isso está em direto conflito com a Bíblia, que declara que Abraão, Isaque e Jacó estão no céu.

Mas eu lhes digo que muitos virão do leste e do oeste e se recostarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó, no Reino dos céus (Mateus 8:11).

Felizes são vocês quando as pessoas os insultam e perseguem, e, mentindo, dizem todo tipo de coisas más contra vocês, por minha causa. Alegrem-se e fiquem cheios de alegria, porque a sua recompensa é grande nos céus; pois assim perseguiram os profetas antes de vocês (Mateus 5:11,12).

Com o tempo, o mendigo morreu e foi carregado pelos anjos para junto de Abraão (Lucas 16: 22).


Todos esses morreram com fé, embora não recebessem as coisas prometidas; mas as viram de longe e as aceitaram com alegria, e declararam publicamente que eram estrangeiros e residentes temporários naquela terra. Os que falam assim demonstram que buscam seriamente um lugar para si mesmos.  Contudo, se eles continuassem se lembrando do lugar de onde tinham saído, teriam tido a oportunidade de voltar. Mas o fato é que tais pessoas procuram alcançar um lugar melhor, isto é, um lugar que pertence ao céu. Portanto, Deus não se envergonha delas, de ser chamado seu Deus, pois preparou para elas uma cidade (Hebreus 11: 13-16).

A Bíblia nunca promete uma ressurreição terrestre. O Velho Testamento é vago a respeito da vida após a morte, nem especifica uma ressurreição nem define a vida após a morte. Por todo o Novo Testamento, a ressurreição é celestial.

A Bíblia promete apenas uma ressurreição para os seguidores de Cristo.

Há um só corpo e um só espírito, assim como há uma só esperança a que foram chamados (Efésios 4: 4).

Pois todos nós fomos batizados por um só espírito para formar um só corpo, quer judeus quer gregos, quer escravos quer livres, e a todos nós se deu de beber de um só espírito (1 Coríntios 12: 13).

Esta “uma só esperança” é consistentemente indicada como sendo uma ressurreição como seres espirituais no céu.

Em vez disso, acumulem para vocês tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, ali estará também o seu coração (Mateus 6: 20, 21).

Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que fizer a vontade do meu Pai, que está nos céus. (Mateus 7: 21).

Jesus lhe disse: Se você quer ser perfeito, vá vender seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu; e venha ser meu seguidor (Mateus 19: 21).

Na casa do meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu lhes teria dito, pois vou embora para preparar um lugar para vocês. Também, depois que eu for embora e lhes preparar um lugar, virei novamente e os levarei comigo, para que, onde eu estiver, vocês também estejam. E vocês sabem o caminho para onde vou. (João 14: 2-4).

Jesus lhes disse: Os filhos deste sistema de coisas se casam e são dados em casamento, mas os que são considerados dignos de ganhar aquele sistema de coisas e a ressurreição dentre os mortos não se casam nem são dados em casamento. De fato, eles nem podem mais morrer, porque são como os anjos, e são filhos de Deus por serem filhos da ressurreição. Mas, que os mortos são levantados, até mesmo Moisés revelou no relato sobre o espinheiro, quando ele chama Jeová_ de ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’. Ele é Deus, não de mortos, mas de vivos, pois, para ele, todos eles vivem (Lucas 20: 34-38).

Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? [...] Se fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente seremos também unidos a ele na semelhança da sua ressurreição (Romanos 6: 3,5).

O mesmo se dá com a ressurreição dos mortos. Semeado perecível, o corpo é levantado imperecível. Semeado em desonra, é levantado em glória. Semeado em fraqueza, é levantado em poder. Semeado corpo físico, é levantado corpo espiritual. Se há corpo físico, há também um espiritual. Assim está escrito: “O primeiro homem, Adão, se tornou um ser vivente.” O último Adão se tornou um espírito que dá vida No entanto, não é o espiritual que vem primeiro. O que vem primeiro é o físico, e depois vem o espiritual. O primeiro homem vem da terra e é feito do pó; o segundo homem vem do céu. Como aquele feito do pó, assim são também os que são feitos do pó; e, como o celestial, assim são também os que são celestiais. E, assim como levamos a imagem daquele feito do pó, f levaremos também a imagem do celestial. Mas eu lhes digo o seguinte, irmãos: carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem pode o que é perecível herdar o imperecível (1 Coríntios 15:42-50).

Assim, estamos sempre confiantes e sabemos que, enquanto moramos no corpo, estamos longe do Senhor, pois estamos andando pela fé, não pela vista. Mas estamos cheios de confiança e preferimos estar longe do corpo e morar com o Senhor (2 Coríntios 5:6-8).

Sob o verbete “Ressurreição”, a obra Estudo Perspicaz, volume 3, página 434, cita apenas uma referência bíblica que indicaria uma ressurreição terrestre. Esta referência é Lucas 23: 42,43: “Em verdade, eu lhe digo hoje: Você estará comigo no Paraíso”, que, como já vimos, se refere claramente ao céu.

Nem a Bíblia, nem os Pais da Igreja discutiam “duas esperanças”. Apesar de João 10:16 dizer que as “outras ovelhas” se tornarão parte de “um só rebanho”, a Torre de Vigia afirma que seus seguidores são divididos em duas classes, com uma que vai viver na terra. Em razão disso, ela é forçada a explicar conceitos básicos do Novo testamento. Um deles é que Jesus Cristo não é mediador para a “Grande Multidão”.

Outro conceito em desacordo com doutrina da Torre de Vigia é o Novo Nascimento. Ser cristão significa que você passa por um novo nascimento.

Em resposta, Jesus lhe disse: “Digo-lhe com toda a certeza: A menos que alguém nasça de novo, não pode ver o Reino de Deus.” (João 3:3).

Quem crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus. E quem ama aquele que causou o nascimento ama também aquele que nasceu dele. Por meio disto sabemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos. Pois o amor de Deus significa o seguinte: que obedeçamos aos seus mandamentos; contudo, os seus mandamentos não são pesados, porque todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé (1 João 5:1- 4).

Louvado seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, pois, segundo a sua grande misericórdia, ele nos deu um novo nascimento para uma esperança viva por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança imperecível, sem mancha e que não se apaga. Ela está reservada nos céus para vocês (1 Pedro 1: 3,4).

Em razão de a Bíblia dizer que a esperança para aqueles que nascem de novo está no céu, a Torre de Vigia é forçada a afirmar, sem nenhum fundamento, que um grupo de cristãos não nascerá novamente. Para combater tal declaração, a Torre de Vigia usa o raciocínio circular. Por exemplo, a revista Despertai! de 22 de fevereiro de 1975, página 27-28, tenta mostrar que essa declaração não significa o que diz, uma vez que haverá uma terrena “Grande Multidão”.  Em seguida, ela acrescenta, reinterpretando a declaração bíblica; “O ponto que frisava [em 1ª João 5:1] era que ninguém poderia nascer de novo, a menos que cresse em Jesus Cristo”. Este é um clássico eisegesis: usando a doutrina predeterminada para ditar o significado da Bíblia.

A Terra findará

Tanto o Velho como o Novo Testamento declaram que a terra findará.

Há muito tempo lançaste os alicerces da terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles deixarão de existir, mas tu permanecerás; eles se gastarão como uma roupa. Tu os substituirás como se fossem uma vestimenta, e eles passarão (Salmos 102: 25,26).

Levantem os olhos para os céus e olhem para a terra embaixo. Pois os céus se dispersarão como fumaça; a terra se gastará como uma roupa, e os seus habitantes morrerão como mosquitos. Mas a minha salvação será eterna, e a minha justiça jamais falhará (Isaías 51: 6).

Eu lhes garanto que esta geração de modo algum passará até que todas essas coisas aconteçam. Céu e terra passarão, mas as minhas palavras de modo algum passarão (Mateus 24: 34,35).

E: “Ó Senhor, no princípio lançaste os alicerces da terra, e os céus são obras das tuas mãos. Eles deixarão de existir, mas tu permanecerás; eles se gastarão como uma roupa, e tu os enrolarás assim como a um manto, como a uma roupa, e eles serão trocados. Mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca chegarão ao fim.” (Hebreus 1: 10-12).

Em Gênesis 8:22, quando Deus prometeu que, depois do dilúvio, jamais destruiria novamente os seres vivos, ele disse:

“Pois, por todos os dias que a terra continuar nunca cessarão sementeira e colheita, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite”. – Tradução do Novo Mundo, versão de 1986 (Nota do tradutor: no texto original consta a versão de 1971, mas não houve mudanças significativas na edição inglesa de 1984, que foi vertida para o português em 1986).


Em hebraico, a primeira frase é  'erets yowm’ – literalmente “dias terrestre”, ou “durante os dias da terra”.  A Versão Rei Jaime usa a frase “Enquanto a terra permanecer”, e a Nova Versão Internacional, “Enquanto durar a terra”. Estas frases indicam um período finito para a terra.

(Enganosamente, a Tradução do Novo Mundo, edição de 2013, mudou o versículo para dizer: "De agora em diante, a terra nunca deixará de ter semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, e dia e noite.". Isso faz parecer que Gênesis 8: 22 indica que a terra nunca deixará de existir, afim de apoiar a doutrina da Torre de Vigia, apesar de a passagem indicar o oposto quando traduzida corretamente. (Nota do tradutor: a versão brasileira, de 2015, manteve o sentido anterior: “Por todos os dias que a terra durar, ela nunca deixará de ter semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite”).

Os planos de Deus é que uma nova terra substitua esta.

Pois vejam! Crio novos céus e uma nova terra; e as coisas anteriores não serão lembradas, nem voltarão ao coração. Portanto, alegrem-se e exultem para sempre no que estou criando. Pois vejam! Crio Jerusalém como motivo de alegria e seu povo como motivo de exultação (Isaías 65: 17,18).

Mas o dia de Jeová virá como ladrão, e nesse dia os céus passarão  com um estrondo, e os elementos, estando intensamente quentes, serão dissolvidos, e a terra e as obras nela serão expostas. Visto que todas essas coisas serão dissolvidas dessa forma, pensem em que tipo de pessoas vocês devem ser. Devem ser pessoas de conduta santa e praticar atos de devoção a Deus, ao passo que aguardam e têm bem em mente a presença do dia de Jeová, pelo qual os céus serão destruídos em chamas, e os elementos se derreterão com o calor intenso. Mas há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a promessa dele, e nesses morará a justiça. (2 Pedro 3: 10-12).

Vi um novo céu e uma nova terra, pois o céu anterior e a terra anterior tinham passado, e o maro já não existia. Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, e preparada como noiva adornada para o seu marido (Apocalipse 21: 1,2).

A Torre de Vigia taxa todas essas referências como figurativas.

A Terra permanece para sempre?

A Torre de Vigia usa várias linhas de raciocínio para apoiar a ideia de que pessoas viverão para sempre na terra.
  1. Adão
  2. Referências bíblicas de eternidade
  3. Profecias judaicas de restauração
  4. Declarações de Jesus Cristo.
Nenhum desses conceitos prova que a terra continuará para sempre.

1. Adão

Deus disse a Adão que ele morreria no dia que comesse da árvore do conhecimento do que é bom de do que é mau. A Torre de Vigia diz que isso implica que Adão jamais morreria se não comesse do fruto. Isso é uma pobre forma de raciocínio conhecida como argumento pelo silêncio.
Nem toda a criação vivente de Deus é eterna. Sabemos que plantas e mesmo árvores de longa duração morrem por fim. (1 Ped. 1:24) E não há evidência bíblica de que Deus intencionasse que animais individuais vivessem para sempre. No entanto, com os humanos era diferente. Deus apresentou aos nossos primeiros pais a perspectiva de nunca morrerem. Pela obediência, podiam ter esperado viver eternamente (Gênesis 2:17). (A Sentinela de 15 de dezembro de 1974, página 752).

A ausência de uma declaração não pode ser usada para formular uma doutrina. Não se pode tirar uma conclusão de alguma coisa que Deus não disse. Se Adão tivesse sido fiel, Deus poderia ter algum plano para Adão, que não ficou explícito em Gênesis. Se todos os outros aspectos da criação terrestre tende para a deterioração e morte, parece lógico concluir que a existência de humanos na terra é também temporária.

Raciocínio similar é usado quando afirma que Isaías 45:18 prova que a terra permanece para sempre.

Pois assim diz Jeová, o Criador dos céus, o verdadeiro Deus, aquele que formou a terra e que a fez, aquele que a estabeleceu firmemente, que não a criou simplesmente para nada, mas a formou para ser habitada. 

Isto é uma infundada conclusão de que a terra durará para sempre. Tudo que podemos concluir dessas palavras é que, por um período de tempo, Deus garantiria que a terra seria habitada.

2. Referências bíblicas de eternidade

O principal apoio para a doutrina da Torre de Vigia de que a humanidade viverá para sempre na terra são referências do Velho Testamento que dizem que a terra subsistirá por tempo indefinido ou para sempre. Veja, porém, três razões pelas quais essas referências não podem ser tomadas como provas de que a terra durará para sempre:

  • ·         “Para sempre” pode ser usado figurativamente na Bíblia.
  • ·          A Bíblia diz que a terra será destruída
  • ·         Todas essas referências são de livros poéticos


A Terra permanece para sempre

As seguintes referências bíblicas que dizem que a terra durará por tempo indefinido ou para sempre são todas de apenas dois livros, Salmos e Eclesiastes, ambos dedicados à poesia.

Os justos possuirão a terra e viverão nela para sempre (Salmo 37: 29)

Estabeleceu a terra em seus alicerces; ela nunca, jamais, será tirada do seu lugar (Salmo 104:5).

Ele fez o seu santuário tão duradouro como os céus; como a terra, que ele estabeleceu para sempre (Salmo 78: 69).

“A maior das vaidades!” diz o congregante, “A maior das vaidades! Tudo é vão!” O que é que o homem ganha com todo o seu trabalho árduo, no qual tanto se esforça debaixo do sol?  Uma geração vai e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre (Eclesiastes 1:2-4).

Em razão da licença poética, estas referências não podem ser tomadas como literal sem apoio adicional; e nem essas passagens se referem claramente ao reinado de Jesus Cristo. A Torre de Vigia mostra que é aceitável que essas passagens se referem aos israelitas e à Terra Prometida.

Visto que o Salmo 37:29 tem sido traduzido “os justos herdarão a terra, e nela habitarão para sempre”, refere-se isto simplesmente à ocupação permanente da Terra da Promessa por Israel? ( A Sentinela de 1º de janeiro de 1986, página 31).

A citação acima do Salmo 37: 29 é da Versão rei Jaime. Como acontece em muitas outras versões, traduz “erets”, do hebraico, como “terra”. “Erets” pode se referir a uma região distinta ou ao território de uma nação, como “a terra de Sinear” ou “a terra do Egito”. – Gênesis 10: 10,11; 21: 21; Salmo 78: 12; Jeremias 25: 20.  Então Salmo 37: 11,29 pode indicar que os israelitas poderiam (e deveriam) ser os ocupantes permanentes da Terra Prometida. De acordo com o pacto de Deus com Abraão, poderiam ter permanecido nesse território que Deus lhes deu, de geração após geração, desfrutando de suas bênçãos lá. No entanto, ele não funcionou assim, pois os israelitas tornaram-se infiéis.

Para sempre em sentido figurado

 “Para sempre” e “por tempo indefinido” pode ser em sentido figurado e ter um fim.

Estabeleceste teu povo Israel como teu próprio povo para sempre; e tu, ó Jeová, te tornaste seu Deus (2 Samuel 7:24).

Então Bate-Seba se curvou e se prostrou com o rosto por terra diante do rei, e disse: “Que o meu senhor, o rei Davi, viva para sempre!” (1 Reis 1: 31)

Igualmente, o falso profeta não é literalmente atormentado para sempre.

E o Diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde já estavam tanto a fera como o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre (Apocalipse 20: 10).

3. Profecias judaicas de restauração

Isaías e Ezequiel contêm textos descrevendo a vida em perfeitas condições. Um de tais textos regularmente citados é Isaías 65.

Pois vejam! Crio novos céus e uma nova terra; e as coisas anteriores não serão lembradas, nem voltarão ao coração. Portanto, alegrem-se e exultem para sempre no que estou criando. Pois vejam! Crio Jerusalém como motivo de alegria e seu povo como motivo de exultação. E me alegrarei com Jerusalém e exultarei pelo meu povo; não se ouvirá mais nela o som de choro nem um grito de aflição.” “Não haverá mais ali um bebê que viva apenas uns poucos dias, nem idosos que não vivam todos os seus dias; pois quem morrer com cem anos será considerado jovem, e o pecador será amaldiçoado, mesmo que tenha cem anos. Eles construirão casas e morarão nelas; Plantarão vinhedos e comerão os seus frutos. Não construirão para outro morar, nem plantarão para outros comerem. Pois os dias do meu povo serão como os dias de uma árvore, e meus escolhidos tirarão pleno proveito do trabalho das suas mãos. Não trabalharão arduamente em vão, nem darão à luz filhos que sofrerão calamidade, porque eles e seus filhos são a descendência abençoada por Jeová. Antes mesmo que clamem, eu responderei; Enquanto ainda estiverem falando, eu atenderei. O lobo e o cordeiro pastarão juntos, o leão comerá palha como o touro, e a serpente se alimentará do pó. Não farão dano nem causarão ruína em todo o meu santo monte”, diz Jeová. (Isaías 65:17-25)

Até a Sociedade Torre de Vigia entende que estes textos são profecias da libertação judaica da Babilônia.
O cumprimento inicial de Isaías 65:17-19 envolvia os antigos judeus que, conforme Isaías predisse com exatidão, retornaram à sua pátria, onde restabeleceram a adoração verdadeira (A Sentinela de 15 de abril de 2000, página 9).
Essa profecia se cumpriu inicialmente em 537 AEC, quando o restante judeu voltou para Jerusalém (Profecia de Isaías, volume 2, página 382).

Como Isaías afirma que não haverá quem tenha uma infância incompleta, bem como, assim como a árvore, não haverá quem não chegue à velhice e morra, isso certamente não é possível no paraíso da Torre de Vigia. A promessa de Jeová era que ele abençoaria os israelitas justos com uma vida pacífica, pois morte e velhice eram algo familiar para os judeus.

Guarde os seus decretos e os seus mandamentos que hoje lhe ordeno, para que tudo vá bem com você e com os seus filhos, e para que você permaneça por muito tempo na terra que Jeová, seu Deus, lhe dá. (Deuteronômio 4:40).

Se obedecerem e servirem a ele, terminarão os seus dias na prosperidade, e os seus anos serão agradáveis (Jó 36: 11).

Apesar de se assegurar a continuação da morte em Isaías 65, a Torre de Vigia usa este texto como prova de que esta terra será um paraíso em que a morte não mais existirá. Pode essas profecias de restauração ser usadas para provar que este planeta será um paraíso?
  1. Não há menção a uma secundária aplicação
  2. Elas falam de um novo céu e uma nova terra
  3. Elas mencionam que pessoas morrerão na nova terra.
Estas contradições tornam necessário que a Torre de Vigia explique como isso se ajusta à sua estrutura de crença, e assim, profecias de restauração não pode ser a base para a crença no eterno paraíso terrestre se não forem apoiadas em outros lugares.

Tal como acontece com grande parte da profecia bíblica, a Torre de Vigia tenta encaixar o cumprimento da nova terra na pessoa do segundo líder, Rutherford.  Explica que Isaías se cumpriu com a libertação de Rutherford em 1919. O cumprimento após o Armagedom seria apenas uma adição a esta centralidade, conforme aplicado pela Sociedade Torre de Vigia. 

A profecia de Isaías teve um cumprimento em miniatura quando Israel foi trazido de volta do cativeiro em Babilônia, mas o cumprimento maior é a partir de 1919 EC, com o livramento do Israel espiritual do cativeiro à Babilônia, a Grande. A restauração deles para a sua “terra”, seu paraíso espiritual, foi então final e completa, pois nunca mais cairiam em servidão a qualquer parte do império mundial de religião falsa, de Satanás. Contudo, esta e outras profecias de restauração incluem aspectos que terão também um cumprimento físico na terra paradísica (A Sentinela de 1º de julho de 1984, página 32).

Da mesma forma, o livro Profecia de Isaías mostra que Isaías 11 teve seu cumprimento no tempo dos judeus, com seu cumprimento secundário em 1919. O conceito de que isso se refere a um paraíso futuro é quase uma reflexão tardia.
Pense num israelita que tivesse acabado de tomar conhecimento do decreto emitido por Ciro para que os judeus voltassem a Jerusalém e reconstruíssem o templo. Deixaria ele a segurança de Babilônia para fazer a longa viagem para casa? Durante os 70 anos de ausência do povo de Israel, o mato tomou conta dos campos abandonados. Lobos, leopardos, leões e ursos vagueavam livremente por eles. Najas também passaram a habitar ali. Para sobreviver, os judeus que regressassem à sua terra teriam de depender de animais domésticos — rebanhos e manadas proveriam leite, lã e carne, e bois puxariam o arado. Seriam os animais devorados por predadores? As crianças seriam picadas por cobras? Que dizer do perigo de caírem em emboscadas durante a viagem?
A seguir, Isaías descreve um quadro emocionante das condições que Deus implantaria no país. Ele diz: “O lobo, de fato, residirá por um tempo com o cordeiro e o próprio leopardo se deitará com o cabritinho, e o bezerro, e o leão novo jubado, e o animal cevado, todos juntos; e um pequeno rapaz é que será o condutor deles. E a própria vaca e a ursa pastarão; juntas se deitarão as suas crias. E até mesmo o leão comerá palha como o touro. E a criança de peito há de brincar sobre a toca da naja; e a criança desmamada porá realmente sua própria mão sobre a fresta de luz da cobra venenosa. Não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar.” (Isaías 11:6-9) Palavras emocionantes, não é verdade? Observe que a paz descrita aqui resultaria de terem conhecimento de Jeová. Assim, não se tratava apenas de estarem seguros contra animais selvagens. O conhecimento de Jeová não mudaria animais, mas influenciaria pessoas. Quer em viagem a caminho de casa, quer em sua terra restaurada, os israelitas não precisariam temer os animais selvagens nem os homens com personalidades animalescas. — Esdras 8:21, 22; Isaías 35:8-10; 65:25.

Mas essa profecia tem um cumprimento maior. Em 1914, Jesus, o Messias, foi entronizado no monte Sião celestial. Em 1919, os remanescentes do “Israel de Deus” foram libertados do cativeiro babilônico e participaram na restauração da adoração verdadeira. (Gálatas 6:16) Isso abriu caminho para o cumprimento moderno da profecia de Isaías sobre o paraíso. O “conhecimento exato”, o conhecimento sobre Jeová, tem feito com que as pessoas transformem sua personalidade. [...] Será que a profecia de Isaías terá um cumprimento adicional, talvez mais literal, no Paraíso restaurado? Parece razoável pensar que sim (Profecia de Isaías, volume 2, página 163,164).

Apocalipse 21:1-4 também aborda “novos céus e uma nova terra” e é baseado em parte em Isaías 65. Esta passagem surge na sequência da destruição final de Satanás (Apocalipse 20:7), colocando o estabelecimento da nova terra após o reinado milenar de Jesus Cristo. Por esta razão, alguns cristãos entendem que haverá a criação de uma nova terra, uma vez que a perfeição foi alcançada no final do reinado milenar de Jesus Cristo. Outros se contentam em admitir que o propósito de Deus e o cumprimento final ainda estão para ser totalmente revelados.

4. Declarações de Jesus Cristo

Embora em apenas uma ocasião Jesus tenha feito referência à terra, ele deu duas declarações que são frequentemente usadas pelas Testemunhas de Jeová para provar que os justos viverão para sempre na terra. No entanto, estas referências não declaram que a terra durará para sempre ou que pessoas viverão nela. 

A primeira declaração de Jesus Cristo é Mateus 5:5: “Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra”.

A maioria das Testemunhas não tem conhecimento do seu próprio ensinamento sobre essa passagem, como até mesmo a Torre de Viga não diz que essa passagem se aplica às outras ovelhas. A doutrina da Torre de Vigia é que os mansos referidos nesta passagem é Jesus Cristo e a terra é sua herança.
Diz-se que os membros ungidos da congregação cristã têm uma herança celestial, compartilhando a herança de Jesus como seus “irmãos”. (Ef 1:14; Col 1:12; 1Pe 1:4, 5) Isto inclui a terra. — Mt 5:5. (Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 2, página 316).

Quando Jesus disse, conforme registrado em Mateus 5:5, ““Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra”, a respeito de quem ele estava falando?  H.S. EUA.. Jesus aqui aplica as palavras “mansos” ou “brandos” aos seus discípulos daquela época que estavam na fila para o reino celestial. Ele era o chefe manso e seu exemplo. Hebreus 1: 1,2 e 2:5,6 mostram que Jesus herda a terra ou assume a posse dela. Seus discípulos Seus discípulos foram feitos coerdeiros no Reino e entram nesta herança ou posse da terra com ele. Portanto, Mateus 5:4 não se aplica estritamente às “outras ovelhas” (A Sentinela de 1º de agosto de 1959, página 479, em inglês).

O que marcará o cumprimento da promessa de Jesus Cristo, “Bem-aventurado os mansos de coração, porque eles herdarão a terra”?  Não, não primariamente. Essas palavras pronunciadas primeiro pelo salmista Davi aplicam-se, antes de tudo, aos mansos em associação com Jesus Cristo, a quem seu pai, Jeová Deus, disse: “pede-me, para que eu te dê nações por tua herança E os confins da terra por tua propriedade”(Salmos 2:8).  Herdarem a terra é parte de sua recompensa por serem mansos fiéis, conforme Mateus 5:5. (A Sentinela de 1º de março de 1958, página 139, em inglês).

Compartilhando esta esperança com Jesus Cristo, sendo sua “noiva”, estes primitivos seguidores de suas pisadas, limitados a 144 mil, receberão uma recompensa celestial (Apocalipse 14: 1,3).  Assim, o apóstolo Paulo escreveu: “Então, se somos filhos, somos também herdeiros: deveras, herdeiros de Deus, mas co-herdeiros de Cristo” (Romanos 8: 17). Jesus se refere a estes seus favorecidos seguidores como “pequeno rebanho”. No entanto, o princípio enunciado em Mateus 5:5 se aplica também às “outras ovelhas” de Jesus Cristo, que, como mansos, receberão a vida eterna na terra.  Como assim? Na medida em que viverem a terra em harmonia com Jesus Cristo e sua noiva, se tornarão, por assim dizer, inquilinos permanentes. (A Sentinela de 1 de março de 1958, página 139).

Na sequencia desta declaração, Jesus Cristo passou a recitar a oração da Pai Nosso, afirmando em Mateus 6:10: “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, como no céu, assim também na terra”.

A oração do Pai Nosso não diz que a terra é para durar para sempre para que se viva nela. Na verdade, esta declaração contradiz a doutrina da Torre de Vigia, pois indica que a vontade de Deus já foi feita, quando Jesus deu esta declaração.

Impossibilidade logística

A representação de paraíso feita pela Torre de Vigia cotem imagens surreais de animais domésticos, crianças e casas luxuosas separadas por muitos quilômetros de parque. Estas imagens podem muito bem atrair as pessoas à religião, desejando pertencer a este mundo, mas não se baseiam em qualquer forma de realidade.

Despertai de 22 de dezembro de 2005

Vídeo JW.ORG 2014


Certamente, sem morte, logo que a terra chegar à sua capacidade, não haverá mais crianças.

Quando a ordem para encher a terra tiver sido cumprida, quando não mais haverá gestação de crianças , os cônjuges poderão, ou não, continuarem como companheiros de vida, a depender da vontade divina, para o futuro distante (A Sentinela de 1º de agosto de 1952, página 478).

Estas imagens incluem materiais complexos usados para criar belas casas e livros encadernados. No entanto, este mundo parece não conter nenhuma infraestrutura; não há estradas, fábricas ou eletricidade. Se as pessoas irão viajar, pesquisar e desfrutar das maravilhas do mundo moderno, terá de haver moderna infraestrutura, ao contrário do que é relatado em quase todas as representações do Novo Sistema da Torre de Vigia.

Há também muitas poucas pessoas, o que comprava haver vastas porções de terras inabitadas. A questão lógica é: Se todos os mortos irão ser ressuscitados na terra, haverá espaço suficiente? Com base no seu conceito de que antes de 1900 viveram apenas 20 bilhões de pessoas, a Torre de Vigia calcula que haverá amplo espaço.

O total de 20 bilhões é muito duvidoso; o número real provavelmente é várias vezes maior. Para destacar a insegurança disso, a Torre de Vigia vem usando o mesmo valor para cálculo há quase 100 anos. Em 1925, o livro O Caminho para o Paraíso declarou:

É muito incerto se já houve tantos quanto 20 bilhões de pessoas nascidas na terra.

Em 1988, o livro Estudos Perspicaz ainda estava usando a mesma estimativa de 20 bilhões de pessoas, apesar de 9 bilhões já terem nascidos durante o século 20.

Uma estimativa bem liberal do número de pessoas que já viveram na terra é de 20 bilhões. Muitos estudiosos do assunto calculam que o número dos que já viveram nem chega a tanto. Nem todos esses, como se mostrou na consideração precedente, obterão uma ressurreição, mas mesmo presumindo que fossem ressuscitados, não haveria problemas no que tange a espaço para viver e a alimento para eles. A superfície seca da Terra é atualmente de cerca de 148.000.000 de quilômetros quadrados, ou de cerca de 14.800.000.000 de hectares. Mesmo que se reservasse metade disso para outros fins, haveria mais de um terço de hectare para cada pessoa. Quanto ao potencial da terra para produzir alimentos, um terço de hectare pode fornecer muito mais alimento do que uma só pessoa necessita, especialmente quando, como Deus demonstrou no caso da nação de Israel, há abundância de alimentos em resultado da bênção de Deus.  (Estudos Perspicaz das Escrituras, volume 3, página 439)  

A estimativa da Torre de Vigia não tem fundamento, pois a obra Referência Populacional Bureau (Population Reference Bureau, em inglês) estima que somente nos últimos 2 mil anos nasceram 105 bilhões de pessoas.

A terra tem 148 000 000 de quilômetros quadrados (embora apenas cerca de 31 000 000 seja arável). Com seis bilhões de pessoas, a quantidade média de terra por pessoa é de 5 acres. Com 100 bilhões de pessoas, esta seria reduzida para 1/3 de um acre para cada. Isso é insustentável para qualquer modelo ecológico. No entanto, o número é ainda menor, uma vez que o mundo inteiro nunca pode ser arável, pois isso implicaria não só o cultivo de culturas nas mais altas montanhas rochosas, mas também teria que limpar todas as florestas. Para compreender a magnitude desse número, a China tinha 135 pessoas por quilômetro quadrado no ano 2000; com 100 bilhões de pessoas, haveria mais de 715 pessoas por quilômetro quadrado.

Se 100 bilhões de pessoas serão ressuscitadas, a terra lá não seria um paraíso de extensões escassamente povoadas, cheia de crianças sorridentes que vivem em mansões.

Realidade científica

Será que a terra existirá para sempre? Claro que isto é impossível. É um fato científico incontestável de que a Terra vai acabar, concordando com Isaías 51:6, que diz:  “a terra se gastará como uma roupa”.  Considere as seguintes indicações de que a terra não foi concebida para durar para sempre.

Assim como a madeira se transforma em energia e se desintegra em um incêndio,  ao longo do tempo o Sol vai consumindo toda a sua matéria. Uma vez que o hidrogênio em seu núcleo for todo convertido em hélio, o Sol vai expandir-se para uma gigante vermelha e envolver a Terra. Quando se esgotar o hélio, o Sol então se contrairá em uma anã branca. Além disso, a temperatura da Terra está esfriando. Virá o tempo em que os campos magnéticos que deixam a Terra a fará perder a sua atmosfera. Isto foi o que aconteceu com Marte, e levará a Terra a deixar de ser capaz de sustentar a vida. Até a Lua não foi projetada para manter-se sempre em órbita da Terra. Atualmente, a Lua se afasta da Terra 3,82 cm a cada ano.  Para a Terra permanecer para sempre, Jeová teria que reescrever as leis do Universo que ele instigou na criação.

A resposta fundamentalista para isso é que “com Deus todas as coisas são possíveis”.  Se Deus diz que a Terra vai durar para sempre, ele vai se certificar de que isso aconteça. Deus tem o poder para abastecer o Sol ou aquecer o núcleo da Terra. Por exemplo, a Torre de Viga diz:
Também, alguns cientistas alertam que a Terra e toda a vida nela correm o risco de serem destruídas por coisas como um grande meteorito, a explosão de uma estrela ou o esgotamento do combustível de hidrogênio solar. Os cientistas acreditam que a Terra aos poucos — talvez ao longo de bilhões de anos — perderá a capacidade de sustentar a vida humana. A Encyclopædia Britannica descreve isso como “a irreversível tendência rumo à desordem”. Felizmente, a Bíblia nos garante que Jeová Deus não permitirá que a nossa Terra seja destruída ou que se torne inabitável. Como Criador, ele tem ilimitada “energia dinâmica”, de modo que pode sustentar o Universo indefinidamente. (A Sentinela de 1º de abril de 2008, página 10)

Embora teoricamente possível para Deus, tal linha de argumentação permite que qualquer um acredite em qualquer coisa. Este ponto de vista também contradiz uma das aparentes provas para a existência de um Deus: a ordem estruturada do Universo. Se um universo é matematicamente perfeito, como declaram as Testemunhas de Jeová, Deus irá contra a sua ordem de coisas se mudar o destino do Sol. Na verdade, se para Deus todas as coisas são possíveis, por que ele cria as coisas de tal maneira que o Sol está morrendo? Por que não criou o universo de tal forma para durar para sempre?

Em acordo com a ciência, a Bíblia diz em 2 Pedro 3:12,13, que “os céus serão destruídos em chamas, e os elementos se derreterão com o calor intenso. Mas há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a promessa dele, e nesses morará a justiça”.  A Bíblia não esclarece o plano de Deus para essa nova terra, portanto, especular é inútil.

A própria natureza indica que a vida terrena não é ser imortal. Bem antes do pecado de Adão, Deus havia colocado na criação, tanto viva como inanimada, a tendência para se decompor. Animais e vegetação não herdaram o pecado, mas, para todos os animais vivos e vegetação, a morte é a ordem natural da vida. Gênesis 3:22 explica que Deus removeu Adão e Eva do jardim do Éden para impedi-los de comer do fruto da árvore da vida para viverem “por tempo indefinido”, indicando que eles não foram criados imortais.

Conclusão

Os seguidores de Deus estão ansiosos para receber, não as coisas deste mundo, mas as coisas nunca antes vistas e não ouvidas.

Mas, como está escrito: “O olho não viu e o ouvido não ouviu, nem foram concebidas no coração do homem as coisas que Deus preparou para os que o amam.” (1 Coríntios 2:9)

Não há indicação de que seres humanos viverão na terra para sempre. Nenhuma passagem diz que a humanidade será ressuscitada na terra, ao passo que a Bíblia discute regularmente uma ressurreição celestial. O uso da palavra “paraíso” geralmente se refere ao céu e Apocalipse coloca a “grande multidão” no céu.

A doutrina de que as Testemunhas de Jeová nunca vão morrer, mas sobreviver e viverem para sempre no paraíso na terra é fundamental para apresentar o ensino da Torre de Vigia. Por mais de um século seguidores da Torre de Vigia têm pensado que não vão morrer. Um número de gerações de Testemunhas que esperavam viver para sempre agora estão mortos. Enquanto a maioria das pessoas aprende a aceitar a morte como uma certeza, filhos criados como Testemunhas de Jeová não se preparam financeiro e emocionalmente para a velhice. À espera das promessas não cumpridas da Torre de Vigia, eles vivem década após década. Provérbios 13 mostra que a vida deve ser construída sobre a sabedoria, e adverte no versículo 12: “A expectativa adiada faz adoecer o coração” (postagem traduzida com a ajuda do Google Tradutor). 



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10 comentários:

  1. Boa noite Lourisvaldo.
    É gratificante ler as suas postagens, é um grande ensinamento, e tudo o que escreve é baseado na bíblia, muito interessante. Um lindo dia e feliz final de semana. Grande abraço.

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  2. Bom dia! O Paraíso pode estar dentro de cada um de nós!
    Abraços e tenhas uma linda estação climática, Primavera bem florida!
    Abraços apertados!

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  3. Uma breve notinha, "A este, o céu tem de reter até o tempo do RESTABELECIMENTO de todas as coisas" At. 3;1. "Pois Davi NÃO SUBIU aos céus" At.2:34. "e fez deles um reino e sacerdotes para o nosso Deus e eles REINARÃO sobre a TERRA" Ap. 5:10. "Vi também...a nova Jerusalém, DESCENDO do céu". e leiam Dan 2:44. Bom dia!

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  4. Bom dia Lourisvaldo
    As palavras bíblicas podem ter inúmeras interpretações. Isso vai do conhecimento e capacidade de cada um no manuseio contextual da língua
    Paraíso é o que Deus nos oferece a cada nascer do sol... mais um dia para viver e escrever um novo capítulo antes que sejamos chamados paro lugar de onde viemos
    Um ótimo domingo para você
    Um abraço

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  5. Artigo muito esclarecedor! Só pra constar;lendo seu livro já na pg 94.Parabéns,muito bem redigido,leitura de fácil entendimento.Muito solidária com a sua experiencia,já que também passei por julgamento,no meu caso totalmente isento de imparcialidade,também fiz a mesma pergunta a época,onde estava aquele Deus que eu conhecia como vagoroso em irar-se e abundante em benevolência,a personificação do amor,o que ouve nosso clamor por ajuda e pra quem derramei meu coração e que agora me abandonou as mãos de verdadeiros algozes? Homens que deviam ser abrigos contra o vento e o temporal,mas que se mostraram como o próprio raio e o trovão assustador? Hoje,mais de dez anos depois,ainda lágrimas vem aos meus olhos,pelas lembranças.Parabéns pelo Blog que visito todos os dias e agora pelo livro.Que alívio saber que nosso Querido Deus,nada teve a ver com isso!

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    1. Muito obrigado pelas palavras!
      Realmente Deus está bem longe dos Salões do Reino tanto quanto nada tem a ver com as decisões que vêm de Brooklyn. Ele de modo algum é responsável por uma verdade de hoje que será a mentira de amanhã, tal qual foi o caso da geração de 14, uma mentira que contribuiu muito para enfeitar meu nariz de Pinóquio.

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  6. Parabéns pelo livro! Muuuito bom mesmo.Confesso que na primeira olhada,não li muita coisa por ter identificado algumas coisas que já tinha lido em outras fontes como a Arquelogia em "Mentes Bereanas" e a linguagem sobre o assunto é bem difícil para uma mente mediana (rimou,kkk)mas com as suas considerações ficou bem mais fácil e mesmo lá,com uma linguagem mais acadêmica,dá pra entender a moral da história.Bem,como ia dizendo,da outra vez não li muita coisa,mas agora,me surpreendi com todo o conteúdo...Com certeza,valeu todo o esforço empreendido nas pesquisas...muita coisa eu não sabia e as que sabia,não sabia com tantos pormenores,e olha que tenho gasto um bom tempo a alguns meses em ler tudo que encontro sobre esta organização.Vou torcer pra logo ele estar nas livrarias,rsrs...abraços!

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  7. só um breve comentário: o Reino do céu,não é o céu! e céus,também não é o céu.
    a terra que será queimada,não é o globo!e sim resíduos que do globo saíram.ex: Adão vc é pó,e ao pó retornarás Gen 3: v 19 a terra com o um Globo jamais será destruída Ecl 1: v 4 apenas será reformada,tudo o que o homem criou será queimada. imagine toda a terra "solo"contaminado pelo homem Adão = diabo,sendo queimada? será assim;mas não a destruição do globo.pois que Salomão disse: o que foi isso será o que há de ser.

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  8. Quando Jesus respondeu aos Saduceus, sobre Casamento e Procriação na ressurreição, disse: "Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus; Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu". Mat. 22:25-30...
    Note que Jesus estava respondendo aos que, supostamente, não tinham esperança celeste, e sim, terrestre, segundo a teoria TJ. E tem mais, Jesus estava dizendo que eles(Saduceus) não conheciam as Escrituras; que Escrituras Jesus está a falar?. Fica claro que se trata das Escrituras Hebraicas!.

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